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Alerta sobre risco de abuso sexual em filhos de mães encarceradas motiva ações de proteção

Cerca de 46% das mulheres encarceradas no Brasil são mães, evidenciando o abandono e a vulnerabilidade das crianças afetadas

Ilustração para reportagem sobre violência sexual infantil (Foto: Reprodução)
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Situação das Mulheres no Sistema Prisional Brasileiro

Dados da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) revelam que 29.137 mulheres estavam encarceradas em dezembro de 2024, sendo que 46% delas são mães. A separação das mães e seus filhos gera um cenário alarmante de abandono e vulnerabilidade, com as crianças enfrentando riscos como violência e exploração.

A irmã Petra Pffaller, coordenadora da Pastoral Carcerária, destaca que o sistema prisional é uma máquina mortífera, afetando principalmente jovens, negros e pobres. O relatório da Senappen também indica que 180 mulheres estavam grávidas ou acabaram de dar à luz, resultando em 120 crianças dentro dos estabelecimentos penais. Petra enfatiza que é inaceitável que recém-nascidos estejam privados de liberdade.

Impactos Emocionais nas Crianças

A ausência materna pode causar sérios problemas emocionais nas crianças. A psicóloga Irineia Cardoso explica que a mãe é a primeira referência afetiva, e sua falta pode levar a um abalo emocional significativo. Meninas podem interpretar essa ausência como rejeição, enquanto meninos podem sentir culpa.

Desde 2016, o número de mulheres encarceradas diminuiu, mas a quantidade de mães aumentou. Em 2016, apenas 19% das presas eram mães. A Resolução nº 369/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) busca alternativas à prisão para gestantes e mães, priorizando a convivência familiar.

Justiça Restaurativa como Alternativa

A Justiça Restaurativa (JR) surge como uma alternativa para reconstruir vínculos entre mães e filhos. Vera Dalzotto, facilitadora de encontros mediadores, destaca que a JR promove diálogos entre vítimas e ofensores, buscando reparação e entendimento. Essa abordagem tem mostrado resultados positivos em projetos em São Paulo e no Rio Grande do Sul.

Além de trabalhar na reconstrução de laços familiares, a JR também articula uma rede de apoio para as famílias. O foco é garantir a segurança emocional das crianças, especialmente em casos de violência sexual, onde a prioridade é ouvir e acolher a vítima.

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