O julgamento da Trama Golpista, que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira, prossegue no Supremo Tribunal Federal (STF). A Procuradoria Geral da República (PGR) acusa os réus de organização criminosa relacionada a uma tentativa de golpe de Estado.
Durante a sessão, a ministra Cármen Lúcia questionou o advogado de Nogueira, Andrew Farias, sobre suas alegações de que o ex-ministro tentava demover Bolsonaro de medidas extremas após as eleições de 2022. O advogado afirmou que seu cliente não tinha culpa na tentativa de golpe e que buscava evitar que o ex-presidente adotasse “qualquer medida de exceção”.
A pergunta da ministra gerou repercussão, pois pode ser interpretada como um reconhecimento implícito de que havia um planejamento para um golpe. Farias citou depoimentos de ex-comandantes militares que negaram ter sido pressionados por Nogueira a apoiar ações golpistas. Eles relataram que estavam “desconfortáveis” com discussões sobre medidas como a Garantia da Lei e da Ordem (GLO).
Acusações e Defesas
A PGR sustenta que o golpe já estava “em curso” e que Nogueira teria endossado a narrativa de fraude eleitoral, atrasando a entrega de um relatório que desmentia tais alegações. O documento, segundo a acusação, visava manter as conclusões fora do alcance da opinião pública. A PGR pede a condenação de Nogueira por organização criminosa armada e outros crimes relacionados ao golpe.
O julgamento, que envolve Nogueira e mais sete réus do “núcleo crucial”, será retomado na próxima terça-feira, 9. A defesa de Nogueira busca demonstrar que ele não participou do planejamento do golpe, enquanto a PGR argumenta que as evidências indicam o contrário.
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