O subsecretário de Inteligência da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Daniel Ferreira de Souza, afirmou que a recente megaoperação nos Complexos da Penha e do Alemão resultou em 113 prisões e 121 mortes, mas teve um impacto prático mínimo no Comando Vermelho (CV). A ação foi apresentada como uma demonstração de presença do Estado em áreas dominadas pelo crime, embora não tenha desestruturado a facção.
Durante sua participação na Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI) no Senado, Souza destacou que a operação tinha um caráter simbólico. O principal objetivo era reafirmar o controle territorial do Estado em comunidades afetadas pelo tráfico, especialmente em um contexto onde a ADPF das favelas limitou a atuação policial, o que, segundo ele, foi explorado pelo CV para expandir sua influência.
Impacto e Narrativa
Souza ressaltou que, apesar dos números expressivos, a operação não resolveu os problemas estruturais relacionados ao crime organizado. Ele enfatizou que a ação serviu para reverter a narrativa de que o Estado não poderia atuar em certas áreas. “Se essa operação não vai resolver o problema, nós sabemos que não vai, ao mesmo tempo mostrou que a retórica que o Comando Vermelho usava para conseguir converter e atrair lideranças do Brasil foi subvertida”, explicou.
Para fortalecer a resposta ao crime organizado, os governos estadual e federal criaram um “escritório extraordinário” com o objetivo de compartilhar informações e desburocratizar processos. O ministro do STF, Alexandre de Moraes, também exigiu esclarecimentos sobre a legalidade da operação, evidenciando a necessidade de um debate mais amplo sobre as ações policiais nas comunidades.
Continuidade das Operações
O subsecretário defendeu a continuidade das operações e a ampliação da integração entre as forças de segurança estaduais e federais. Ele alertou que, sem um entendimento claro do Brasil como um conjunto de Estados, o país pode enfrentar problemas graves, incluindo um aumento na violência. “O Rio de Janeiro já tem o apoio do governo federal, mas é preciso aumentar a integração das forças”, concluiu Souza.
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