A Procuradoria-Geral da República autorizou a Operação Transparência, que mira desvios de emendas parlamentares. A ação envolveu mandados de busca e depoimentos de deputados, com foco na ex-assessora Mariângela Fialek. O ministro Flávio Dino, do STF, sustentou que ela atuava no controle de indicações desviadas do orçamento secreto.
Na decisão, Dino aponta que a investigação indica continuidade do esquema desde a gestão de Arthur Lira na presidência da Câmara e seguiu sob Hugo Motta. Mariângela está lotada na liderança do PP na Câmara e já era alvo de investigações desde a posse de Dino, segundo a análise publicada.
O texto da decisão também cita que, mesmo após a mudança na presidência da Casa, Mariângela permaneceu exercendo a função. A operação recebeu aval da PGR e envolve suspeitas de organização criminosa ligada ao orçamento secreto, com repasses via Codevasf e esquema de desvios.
Rascunhos e manuscritos atribuídos a um suposto apelido de Mariângela, conhecido como Tuca, teriam sido encontrados na nuvem da servidora. As anotações seriam usadas para realocar milhões de reais sem justificar projetos ou interesses republicanos.
Entre os casos citados está o desvio de recursos originalmente destinados a Nova Russas, no Ceará, que teriam sido deslocados para Reriutaba, também no Ceará, a pedido do deputado Júnior Mano. Ele também é alvo de investigações sobre emendas parlamentares.
Pelo menos cinco depoimentos de deputados, senadores e uma servidora da Câmara reforçam a linha de apuração de que TUCA coordenava o orçamento secreto. Dino sustenta que os recursos eram movimentados por comandos verbais, sem critérios técnicos claros.
A PF também aponta que a suposta atuação envolvia repasses ligados à Codevasf, estatal com histórico de denúncias de uso político de emendas. A investigação permanece em andamento para esclarecer a responsabilidade de cada envolvido.
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