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Bolsonarismo e a tentação de terceirizar a soberania

Com Bolsonaro ausente, aliados exploram o sequestro de Maduro para atacar Lula e justificar intervenção estrangeira como soberania

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Foto: Juan Barreto/AFP
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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) esteve ausente do centro das atenções em dezembro, após passar por um segundo procedimento médico para tratar soluços persistentes. Dias depois, sua defesa pediu providências por barulho do ar-condicionado na cela onde está detido em Brasília desde 22 de novembro.

Enquanto Bolsonaro não comentou a operação dos Estados Unidos na Venezuela que resultou no sequestro de Nicolás Maduro, setores próximos ao ex-auxiliaram o espaço político deixado pela sua ausência. O episódio venezuelano passou a ser utilizado como munição doméstica por rivais.

A ala bolsonarista reagiu com tom de apoio à intervenção dissociando-se de críticas institucionais, o que elevou a tensão entre simpatizantes. Mensagens de torcida pela sequência de ações contra o que consideram estruturas de poder também ganharam espaço.

Repercussões no inside

Posts de apoiadores destacaram a captura de Maduro como avanço favorable a objetivos ideológicos. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mencionou acusações amplas, sob a expectativa de desacreditar o que chamam de “Foro de São Paulo”.

Entre possíveis herdeiros, Michelle Bolsonaro tratou a operação como sinal de libertação, destacando o que chamou de desmantelamento de estruturas de poder ligadas ao narcoterrorismo. A retórica reforça a leitura de continuidade do espólio político.

Contexto regional e histórico

A discussão amplia o debate sobre interferência estrangeira na região, tema que envolve o histórico de intervenções dos EUA na América Latina ao longo de décadas. Documentos históricos apontam ações de apoio político e logístico a golpes no passado.

Especialistas apontam que o episódio venezuelano remete a estratégias de poder usadas no passado, com forte presença de interesses externos. A narrativa favorece a visão de terceirização de decisões políticas para potências estrangeiras.

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