O ministro Dias Toffoli, do STF, alterou ao menos três vezes, em cerca de 24 horas, as decisões sobre o destino das provas apreendidas na segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quarta e ligada a suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master. As mudanças ocorreram após críticas de investigadores, pedidos formais da PF e da PGR, além de questionamentos técnicos sobre a perícia.
As alterações começaram com a decisão de lacrar e enviar todos os bens, documentos e aparelhos para a sede do STF, mantendo o material sob custódia do tribunal até nova deliberação. A prática visava preservar as provas para perícia pelas autoridades competentes.
Poucas horas depois, Toffoli orientou que celulares e computadores ficassem carregados e desconectados da internet, para reduzir riscos técnicos durante a guarda dos dados. A medida provocou reação na PF, que temia danos à investigação pela demora na extração de dados.
A PF tratou de pedir a reconsideração e questionar a capacidade técnica do STF para conduzir perícias digitais complexas. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também pediu revisão, defendendo que a extração seja feita pela PGR para assegurar avaliação adequada dos fatos.
Toffoli recuou novamente, determinando que o material seja enviado à PGR para análise, com o objetivo de obter uma visão sistêmica dos supostos crimes de grandes proporções identificados até então. A decisão foi alvo de questionamentos entre as autoridades.
Na quinta-feira, houve novo recuo: Toffoli autorizou que a PF tenha acesso às provas, mesmo com o material custodiado pela PGR. Quatro peritos indicados pelo ministro passaram a acompanhar a extração e a perícia, em caráter nominal.
Entre os itens apreendidos estão carros de luxo, relógios, dinheiro em espécie e um revólver. Os alvos incluem Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, familiares próximos e empresários ligados a fundos de investimento.
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