Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, prestou depoimento à Polícia Federal no fim de 2025 sobre a crise que levou à liquidação da instituição em novembro. O relato envolve a possível venda do Master ao BRB e a participação de figuras públicas. A PF usa a transcrição com apoio de inteligência artificial.
O banco enfrentou severa liquidez e indícios de irregularidades na venda de carteiras de crédito ao BRB, no valor de 12,2 bilhões de reais. O Banco Central pediu a liquidação extrajudicial após identificar falhas sistêmicas e uso de recursos para lastrear operações.
Vorcaro destacou que o Master dependia do FGC como modelo de negócio, sem irregularidades segundo ele. Mudanças no uso do FGC teriam impactado a empresa, segundo o depoimento, abrindo espaço para críticas de outras instituições.
Encontros com Ibaneis
O executivo confirmou encontros com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, entre 2024 e 2025, em residências e em Brasília. Segundo Vorcaro, as reuniões teriam tratado da venda do Master ao BRB, assunto negado pelo governador.
Ibaneis afirmou, em defesa, que não discutiu a operação BRB/Master em nenhum encontro. O BRB já tinha tentado comprar parte do Master em 2025, com apoio do governo local, mas a operação foi barrada pelo BC.
Ao longo de 2025, o BRB teve aporte de 16,7 bilhões no Master. O Ministério Público investiga indícios de gestão fraudulenta nessas transferências, com parte do dinheiro destinada à compra de carteiras sem lastro.
Prisão e acareação
Vorcaro afirmou ter sido preso no aeroporto de Guarulhos, negando tentativa de fuga, e disse que avisou o BC sobre a viagem. Ele ficou 12 dias detido e hoje está em prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica.
Na acareação com Paulo Henrique Bezerra, ex-presidente do BRB, Vorcaro disse que a empresa não pagou pela carteira de crédito Tirreno, de 6 bilhões de reais, tratando o valor como registro contábil sem saída de caixa.
O empresário manteve que a crise de liquidez se agravou com a liquidação do Master, em 18 de novembro, e que a situação só piorou após o decreto de intervenção pelo BC. As informações constam de documentos obtidos pela imprensa.
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