O caso envolve uso de emendas parlamentares para financiar a ONG do judoca Tiago Camilo, medalhista olímpico. Em 2021, a fundação recebeu autorização para captar 6 milhões de reais pelo esporte. Em 2023, outras emendas estimaram 7,5 milhões para abrir escolas de judô em vários estados.
Entre 2021 e 2024, o grupo recebeu apoio de deputados bolsonaristas, incluindo Eduardo Bolsonaro, Nikolas Ferreira e outros aliados. O objetivo declarado é ampliar a atuação da ONG, presente hoje em 24 municípios de 12 estados.
O Ministério da Cidadania autorizou a captação, e as emendas passaram a financiar centros esportivos e centros de treinamento. A gestão financeira, porém, tem gerado questionamentos sobre compras, custos de materiais e transparência.
A atuação da fundação se concentra na região de Paraisópolis, em São Paulo, e se expandiu para outras cidades com centros de judô. Dados de 2024 indicam hoje 3.791 crianças atendidas, com ocupação de vagas abaixo de 65%.
Em Minas Gerais, o aporte de 700 mil reais destinou unidades em Belo Horizonte e Montes Claros. Proprietários de unidades afirmam atender a centenas de alunos, embora haja discrepância entre vagas anunciadas e participação efetiva.
Em São Paulo, cinco CEUs abrigam as atividades, com quase 1,5 mil vagas disponíveis e 957 alunos cadastrados. A gestão de mercadorias e uniformes tem gerado críticas sobre custos relativos aos materiais.
A reportagem solicitou informações ao Instituto Tiago Camilo sobre a capacidade real de cada polo, sem obter retorno até o momento. As informações oficiais sobre despesas estão disponíveis apenas de forma limitada.
Sobre a fiscalização, o deputado Nikolas Ferreira afirmou que a União, por meio do Ministério do Esporte, acompanha a execução. Questionado, o Ministério manteve orientação de consulta pública a dados de emendas, sem detalhar inspeções in loco.
Paralelamente, o instituto firmou contratos com fornecedores de materiais esportivos, incluindo itens produzidos por Camilo. Em 2024, referentes a fardas, a ONG informou despesa elevada, sem esclarecer integralmente a origem de todos os itens.
Estudos de especialistas ressaltam que recursos via emendas apresentam desafios de fiscalização e transparência. O tema envolve debates sobre a prática de destinar verbas públicas a projetos sociais com participação política.
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