Antônio Fernando Oliveira, que assumiu a Polícia Rodoviária Federal em 2023, afirma que a PRF reverteu a crise de imagem vivida após a gestão de Silvinei Vasques. Em entrevista à CartaCapital, o diretor geral rejeita a ideia de que a PRF seria “bolsonarista” e defende ampliar atribuições da corporação pela PEC da Segurança Pública.
Oliveira aponta que 2022 foi uma exceção e que, desde 2024, a PRF retorna ao modelo tradicional de atuação, com foco na fluidez das rodovias federais e no processo eleitoral. Ele sustenta que a instituição está preparada para novas missões com investimentos adequados.
O diretor destaca avanços na relação com a Polícia Federal e a necessidade de reduzir a competição institucional entre órgãos. Também afirma que a valorização da segurança pública tem ocorrido no governo atual e que a PEC pode ampliar competências da PRF.
PEC da Segurança Pública e novas atribuições
Segundo Oliveira, a PEC prevê ampliar atuação da PRF para fiscalização de rodovias, ferrovias e hidrovias. Ele admite a exigência de investimentos em equipamentos e aumento de contingente para acomodar as novas missões, mas afirma haver confiança na capacidade da PRF.
Ele ressalta que a discussão não impede a atuação já existente da PRF no combate ao crime, incluindo o crime organizado, e reforça que a segurança viária envolve proteger quem usa as rodovias, independentemente da ameaça.
Câmeras corporais e atuação operacional
A instalação de câmeras corporais já começou em parte do efetivo, com testes no Rio de Janeiro e em Brasília. O objetivo é registrar abordagens para assegurar lisura na atuação policial e proteção a terceiros.
Oliveira detalha que o modelo depende de baterias com duração limitada, armazenamento de dados e integração com viaturas. A licitação envolve o Ministério da Justiça, e o principal desafio hoje é o custo de armazenagem e de um banco de dados para as imagens.
Política, eleições e neutralidade
Sobre eleições, o diretor afirma que a PRF não tem viés ideológico e que a atuação visa garantir segurança, fluidez do trânsito e cumprimento da lei. Em 2026, ele diz que a instituição manterá o padrão de atuação para assegurar o direito ao voto.
Ele cita a criação de diretrizes para evitar interferência política em operações de trânsito durante períodos eleitorais, reiterando que a PRF atua para proteger cidadãos e democraticamente as eleições.
Legado e cooperação internacional
Oliveira enfatiza a integração entre polícias como eixo de melhoria institucional. Menciona acordos com polícias da Colômbia, Chile, Argentina, França e Itália, além de planos com Uruguai, Paraguai e Portugal.
O diretor defende ampliar parcerias entre PRF, Polícia Federal e Receita Federal para aumentar a eficiência operacional. Também aponta que a experiência de 97 anos da instituição exige continuidade de investimentos e atualização constante.
Entre na conversa da comunidade