Funcionários públicos brasileiros demonstram entusiasmo pelo uso de inteligência artificial no trabalho, mas recebem menos apoio institucional para adotá-la. O estudo avalia o ritmo de adoção no setor público brasileiro frente a outros 9 países.
O Índice de Adoção de IA no Setor Público 2026 foi divulgado na quarta-feira (11 mar) pela Public First, com patrocínio do Google. Foram ouvidos 3.335 servidores em 10 países, incluindo Brasil, EUA e Alemanha.
No Brasil, 83% consideram a IA eficaz e 89% afirmam que a tecnologia economiza tempo. Mas apenas 41% relatam existir capacitação oferecida, posição semelhante à da Alemanha entre as mais baixas.
Adoção e entusiasmo
O índice mede cinco dimensões: entusiasmo, empoderamento, capacitação, integração e educação, com notas de 0 a 100. No país, o entusiasmo não é acompanhado por infraestrutura adequada.
Mais de 60% dos respondentes dizem que suas organizações carecem de ferramentas ou recursos suficientes para usar IA com eficácia. Ainda assim, 63% passaram a usar IA no trabalho no último ano.
Karan Bathia, vice-presidente do Google, aponta que o Brasil fica na metade da tabela global, o que ele considera encorajador diante do contexto. O estudo destaca o interesse como ponto de partida.
Uso informal e capacitação
A pesquisa indica uso frequente de ferramentas pessoais ou abertas, em detrimento de soluções oficiais. Sessenta e sete por cento aprenderam a usar IA de forma autodidata, a maior taxa entre os países avaliados.
Segundo Bathia, muitos trabalhadores já usam IA em casa, mas enfrentam sistemas desatualizados dentro de órgãos públicos. A lacuna entre desejo e acesso influencia a adoção.
Impacto na produtividade
Especialistas destacam que a IA pode ampliar a eficiência na análise de grandes volumes de dados. Ela também ajuda a identificar desperdícios, fraudes e abusos no serviço público, fortalecendo a atuação diária.
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