A Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF) adotam cautela na negociação da delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ele foi preso pela PF no início deste mês e assinou um termo de confidencialidade após acordo envolvendo a PF, a PGR e o gabinete do ministro André Mendonça, do STF. Desde sexta-feira, seus advogados já ganharam acesso à PF em nove ocasiões para tratar do tema.
Investigadores ouvidos pela CNN afirmam que há ceticismo entre as equipes. Vorcaro precisa apresentar provas, documentos e conexões de datas e pessoas para sustentar eventual delação, não apenas relatos. O objetivo é evitar que o acordo sofra descrédito.
Outra linha de avaliação aponta a necessidade de separar o caso da esteira de investigações ligada à Lava Jato. A referência é evitar que a delação seja associada a esquemas já examinados anteriormente sem novas evidências. A expectativa é de avanços sólidos com base em material probatório já reunido pela PF.
Integrantes da PGR ressaltam também a referência à delação do tenente-coronel Mauro Cid, no processo da trama golpista, que teve críticas por não acrescentar novas informações ao inquérito. Esse movimento é citado como exemplo de como o uso da delação precisa trazer elementos novos.
Além de Vorcaro, outros investigados de grande repercussão passaram a negociar acordos recentemente, como Fabiano Zettel, cunhado dele, no caso Master, e Maurício Camisotti, envolvido no caso INSS. As tratativas indicam uma tendência de intensificação de acertos dentro de grandes casos midiáticos.
Desdobramentos da negociação
A CNN informou que Vorcaro busca excluir o crime de organização criminosa do enquadramento contra ele. Também pretende afastar a ideia de que seria o líder ou o chefe do esquema. A defesa sustenta que a delação precisa partir de informações que indiquem o funcionamento da organização.
As equipes envolvidas destacam que a delação ainda depende da apresentação de estrutura interna do grupo e da identificação de integrantes-chave. A expectativa é de que as provas apresentadas contribuam para a verificação de fatos já apurados pela PF.
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