A defesa de Angra 3 ganhou impulso no governo, com novos apoios para a retomar a construção. Durante a última reunião do CNPE, a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, passou a defender a conclusão do empreendimento, segundo fontes próximas ouvidas pela CNN sob condição de anonimato. A sinalização ocorreu em meio a esforços de reacender a pauta energética no colegiado.
O movimento ocorre após o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, elevar o tom ao apresentar uma espécie de manifesto interno em defesa da central nuclear. Segundo relatos, ele argumentou que não é razoável “enterrar” cerca de R$ 20 bilhões já investidos e pediu a retomada da análise no CNPE, indicando voto favorável.
A discussão está travada desde o ano passado, quando o ministro da Casa Civil, Rui Costa, solicitou vistas do processo. Desde então, o tema não voltou à pauta e não há previsão de reunião futura. A entrada de Dweck no debate é vista como sinal de rearranjos internos, ainda que de forma inicial.
A Fazenda figura como um dos principais pontos de incerteza, com histórico cético em relação a riscos fiscais e tarifários. Nos bastidores, há relatos de postura menos rígida, mas sem adesão clara ao retorno da obra. O tema segue sem definição formal.
Outro elemento que complica a equação é a transferência de participação da Axia (antiga Eletrobras) na Eletronuclear para a Âmbar, braço de energia do grupo J&F. Esse movimento pode influenciar negociações e prazos dentro do governo.
Até o momento, o custo da indefinição já é estimado pelo TCU em cerca de R$ 2 bilhões apenas nos últimos dois anos, somando despesas financeiras e custos de manutenção. Com aproximadamente 65% das obras concluídas, Angra 3 permanece como tema sensível para a matriz elétrica do país.
Cenário no CNPE
A possível retomada envolve alinhamentos entre Ministério de Minas e Energia, Ministério da Gestão e Inovação, Casa Civil e Fazenda. A atual configuração mostra divergências claras e a necessidade de consenso para avançar com a retomada do projeto. A imprensa não teve acesso a manifestações oficiais dos ministérios nesta etapa.
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