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104 decisões de Alexandre de Moraes são descritas como abusivas

Relato de 104 decisões que acumulam funções de Moraes, ampliando o poder do STF e levantando questões sobre imparcialidade e freios institucionais

Alexandre de Moraes acumulou decisões que juristas, imprensa, políticos e até alguns colegas de tribunal consideram sem precedentes na história do Supremo Tribunal
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No Brasil, o ministro Alexandre de Moraes acumula funções que vão além de julgar. Investigação, condução de inquéritos e decisão judicial se entrelaçam no mesmo núcleo de atuação, segundo levantamento de circulação de 104 casos atribuídos ao magistrado. A denúncia aponta desvio do modelo acusatório previsto pela Constituição.

Especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo destacam que esse acúmulo de funções transforma investigações em atos que podem comprometer a imparcialidade. Moraes conduziu inquéritos em que também figurava como alvo, o que acende debates sobre limites institucionais e responsabilidade.

Desde 2019, quando aceitou a relatoria de um inquérito entregue sem sorteio, o ministro acumulou decisões em áreas diversas. Juristas e entidades de imprensa apontam padrões que extrapolam a lógica de uma apuração comum e ampliam o alcance a terceiros não diretamente envolvidos.

Panorama temático

A análise mapeia casos que vão de censuras a decisões que atingem plataformas e pessoas sem relação direta com as investigações. O conjunto sugere uso amplo de medidas regulatórias e de sanções contra conteúdos, empresas e perfis, com efeitos sobre liberdade de expressão e competição no ambiente digital.

Casos marcantes

Entre os episódios, destaca-se o que se refere ao Inquérito das Fake News, aberto em 2019, com Moraes atuando como relator e alvo. Ao longo dos anos, o inquérito ampliou o escopo para incluir informações regionais, parlamentares e empresas, segundo o levantamento.

Bloqueios e censuras

Outro eixo envolve ordens que cortaram ganhos de empresas de redes e a censura de conteúdos durante períodos eleitorais. Decisões atingiram plataformas como Telegram, X e outras, além de conteúdos audiovisuais e informações jornalísticas durante a disputa eleitoral.

Parlamentares e imprensa

O conjunto também envolve bloqueio de perfis de parlamentares e de veículos de comunicação, com medidas que afetaram colaboradores e críticos. Em alguns casos, decisões ocorreram sem relação direta com os alvos originais, ampliando o alcance da atuação.

Politicamente relevante, não conclusivo

O material aponta uma tendência de atuação que cruza instâncias e fases processuais, com decisões que transitam entre investigação, julgamento e adoção de medidas administrativas. O levantamento não representa conclusão judicial, mas destaca a complexidade do tema.

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