O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, designou três coronéis da Polícia Militar para compor o Conselho de Justificação responsável por julgar o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu por feminicídio e fraude processual. A decisão envolve o caso da ex-esposa, a soldado Gisele Alves Santana, morta a tiros em SP.
Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, permanece preso preventivamente desde 18 de março, no Presídio Militar Romão Gomes. O Conselho tem prazo inicial de 30 dias, com possibilidade de prorrogação de 20, para assegurar a defesa. Ao final, poderá haver absolvição ou sanções, como a perda da patente.
Os três coronéis indicados são Adalberto Gil Lima Mendonça, comandante do policiamento em Guarulhos e região; Carlos Alexandre Marques, chefe do Copom; e Marisa de Oliveira, comandante do policiamento da Zona Leste. A decisão final sobre o caso será encaminhada ao Tribunal de Justiça Militar de São Paulo (TJM-SP).
Caso Gisele: acusações apontam para irregularidades na investigação e manipulação de evidências desde a primeira apuração. A defesa do réu sustenta que o militar não atuou para impedir depoimentos, enquanto a justiça analisa laudos periciais, depoimentos e dados de dispositivos eletrônicos.
A perícia confirmou que o disparo foi feito com a arma encostada na cabeça da vítima, em trajetória incompatível com autoinfligido. O relatório também aponta contradições no relato do tenente-coronel sobre o momento do disparo e sobre a posição de Gisele no quarto no instante do tiro.
A apuração inicial, aberta como suicídio, evoluiu para feminicídio qualificado e fraude processual com base em evidências coletadas ao longo da investigação. A família de Gisele tem acompanhado os desdobramentos e a condução do processo no meio jurídico.
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