Flávio Dino, ministro do STF, atua como relator de ao menos quatro investigações da Polícia Federal envolvendo o atual governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB), e familiares. Os trabalhos dizem respeito à suposta compra de vagas no Tribunal de Contas do Estado e a possível interferência em julgamento do STJ sobre homicídio.
As apurações ligam Daniel Brandão, sobrinho de Carlos Brandão, a o que aconteceu na investigação do assassinato de João Bosco Pereira, ocorrido em 2022 em São Luís. Gilson Cesar Soares Curtinum Junior foi o único denunciado pelo Ministério Público do Maranhão.
A investigação sobre o homicídio aponta a presença de Daniel Brandão na cena do crime. Em 2023, ele foi indicado ao TCE, adquirindo prerrogativa de foro no STJ. Em 2024, o Tribunal do Júri havia condenado apenas o motorista do caso, não o sobrinho.
Em outubro de 2025, a defesa de Daniel Brandão pediu habeas corpus ao STF, apontando suposta interferência de Weverton Rocha no julgamento da pena no STJ. O caso subiu para o STF por foro e foi designado ao gabinete de Dino por sorteio.
Dino determinou abertura de investigação pela PF para apurar se Weverton atuou para atrapalhar o andamento do processo. O ministro também citou conexão entre essa apuração e outra que investiga venda de vagas no TCE, com Brandão entre os alvos.
A defesa de Brandão sustenta que não houve irregularidade na indicação ao TCE e que o STF não tem competência para acompanhar o caso, pois o foro é do STJ. O grupo do governador afirma que Dino suspendeu indicações para o TCE em ações de constitucionalidade.
Questionado, o gabinete de Dino afirmou que não comenta processos ou questões políticas. O Poder360 busca ouvir Weverton Rocha, Brandão e o Tribunal de Justiça do Maranhão para posicionamentos oficiais sobre o andamento das investigações.
Entre as ações em tramitação, também estão pedidos que questionam a constitucionalidade do rito de indicação de conselheiros da Assembleia Legislativa do Maranhão. Dino já suspendeu, em liminar, o andamento de alguns desses processos.
A PF é a responsável pela apuração das denúncias. O objetivo é esclarecer se houve compra de vagas, nepotismo ou interferência indevida na condução de processos judiciais envolvendo o TCE, o STJ e as eleições de 2026 no Maranhão.
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