O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso um projeto de lei que propõe o fim da escala 6×1 nesta semana. A iniciativa é vista como movimento de cunho eleitoral, com o objetivo de sustentar o discurso de defesa do trabalhador.
Segundo apuração, Lula sabe que o texto não terá votação neste ano eleitoral e nem há maioria suficiente no Legislativo para aprová-lo. A estratégia é usar o tema para o roteiro de campanha, mantendo o tom de defesa de classes.
Ministros do governo teriam alertado sobre as dificuldades técnicas e legais da proposta. O movimento é avaliado como populista, alinhado ao discurso de antagonismo entre “nós” e “elas” durante a corrida presidencial.
Entidades do setor produtivo, como a Confederação Nacional da Indústria, alertaram que a medida geraria custos bilionários e prejudicaria principalmente micro e pequenas empresas. O setor de serviços também seria impactado de forma relevante.
Especialistas ressaltam o risco de aumento do desemprego e da informalidade, com mais trabalhadores migrando para atividades de aplicativo, sem jornada regulada nem proteção trabalhista.
Cenário político
O presidente da Câmara, Hugo Motta, aliado de Lula, informou que a Casa não discutirá o projeto na forma apresentada. A ideia é explorar a pauta por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição, que exige mais tempo de tramitação e votos mais expressivos.
Com isso, Motta sinaliza que o tema pode ser empurrado para a gaveta, mantendo o discurso eleitoral de Lula. A disputa política envolve cruzar prioridades do governo com o calendário legislativo de 2026.
Na semana, Lula também discursou na Europa, defendendo o fim da jornada 6×1. Em participação na Espanha, citou a economia de lá como referência, elevando o tom do debate político em cerimônias internacionais.
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