No dia 17 de abril de 1996, 21 pessoas foram mortas e dezenas ficaram feridas durante a repressão policial a uma marcha do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na BR-155, próximo à Fazenda Macaxeira, no sul do Pará. O episódio ficou conhecido como o Massacre de Eldorado dos Carajás e teve repercussão internacional, marcando o debate sobre luta por terras no Brasil.
Segundo registros da época, a ação policial foi marcada por disparos, agressões com cassetetes e ferimentos com objetos cortantes. Pacientes atendidos por equipes médicas apresentaram sinais de execução. A duração do tiroteio foi estimada em mais de duas horas, deixando chegar às ruas a imagem de violência desproporcional.
Desdobramentos e reação pública
A repercussão política foi imediata. O então presidente Fernando Henrique Cardoso condenou a violência, afirmando que não havia justificativa para atacar manifestantes. A violência levou à criação do Ministério da Reforma Agrária e à vinda do Exército para o local, além de uma comissão externa do Congresso para apurar os crimes.
Ao longo de anos, apenas dois policiais foram condenados: o coronel Mário Colares Pantoja e o major José Maria Pereira de Oliveira, com penas de 228 e 158 anos, respectivamente. Outros 155 policiais foram indiciados, sem punição. Fazendeiros também não foram condenados.
Memória e consequências
Em 1996, o arquiteto Oscar Niemeyer propôs o Memorial Eldorado Memória, inaugurado em Marabá, mas destruído em menos de um mês. Em 1997, a Fazenda Macaxeira foi desapropriada e o MST criou o Assentamento 17 de abril. A data passou a simbolizar o Dia Nacional da Luta pela Reforma Agrária.
Entre na conversa da comunidade