Uma desembargadora do Pará criticou, durante sessão, os novos limites anunciados pelo STF em março para o pagamento de penduricalhos a magistrados. Ela afirmou que, em breve, a categoria poderá ser vista como se estivesse sob regime de escravidão. A fala ocorreu no âmbito de debate sobre benefícios e remunerações.
A magistrada argumentou que narrativas disseminadas pela sociedade teriam transformado o conceito de juiz, passando a associá-lo a ganância. Ela comentou que muitos colegas trabalham longas horas, inclusive aos fins de semana, para cumprir suas funções.
A declaração foi feita em 9 de abril, na 3ª Turma de Direito Penal do Tribunal de Justiça do Pará. Ela pediu desculpas aos colegas e disse tratar-se de um desabafo sobre uma situação considerada triste. O TJ tentou contato com a magistrada, sem sucesso.
Dados e contexto institucional
Eva do Amaral Coelho tem 73 anos, foi aprovada em concurso na década de 1980 e tornou-se desembargadora em 2020. Segundo a folha de pagamento do TJ, em março ela recebeu 91,2 mil reais líquidos.
A magistrada criticou ainda a percepção pública sobre a atuação da magistratura, afirmando que não há hoje uma voz ativa de defesa da categoria. Ela disse que, ao se defender, passa a ser execrada pela população.
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