A desembargadora Eva do Amaral Coelho, 74, do Tribunal de Justiça do Pará, disse temer que a magistratura viva um regime de escravidão com a redução de penduricalhos após decisão do STF. Ela informou ter recebido 91 mil líquidos em março.
Ela atuou no processo do Massacre de Eldorado dos Carajás, em 1996, quando 19 trabalhadores rurais foram mortos por policiais militares no sul do Pará. Naquele episódio, Eva era juíza de primeira instância e participou de fases-chave do julgamento.
A carreira de Eva começou em Afuá, seguiu por comarcas do interior e pela região metropolitana de Belém, com promoções por antiguidade até chegar às varas criminais da capital. Assumiu o cargo de desembargadora em julho de 2020.
No âmbito da Justiça Eleitoral, atuou como membro efetivo do TRE do Pará entre 2012 e 2016, além de exercer funções de juíza cooperadora e ouvidora. Também integrou o Conselho da Magistratura entre 2021 e 2023.
Antes da vida no TJ, trabalhou como advogada em Belém e Marabá e passou pelo Serpro, na área de recursos humanos. Formou-se em Direito em 1980 pelo Centro de Estudos Superiores do Estado do Pará.
Em 2020, em entrevista à Amepa, Eva defendeu que juízes atuem com prudência, empatia, decoro e dignidade, evitando apego ao cargo. Em sessão do TJ, criticou a expressão penduricalhos, destacando a tensão vivida pela magistratura.
Ela alertou que a carga de trabalho é elevada, com horas extras em casa. Segundo a desembargadora, colegas deixam de frequentar consultórios médicos e de pagar remédios por reajustes de benefícios.
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