O seminário Abril Indígena: Conhecimento, direitos e políticas públicas foi realizado em Belém (PA) nesta segunda-feira, 27. Participaram academia, setor público, movimentos indígenas e servidores do IBGE. O evento ocorreu durante a celebração do Dia dos Povos Indígenas, em 19 de abril, e foi organizado pelo IBGE, pela Superintendência Estadual no Pará, e pela UFPA, por meio do Programa Enraizando a Posse Plena.
A programação buscou debater o recenseamento realizado no Censo Demográfico 2022. Também abriu espaço para diálogo entre saberes, planejamento territorial e fortalecimento da autonomia dos povos indígenas. A abertura contou com a presença do superintendente do IBGE no Pará, Rony Helder Nogueira, que destacou a parceria com a UFPA e a Casa Brasil IBGE, inaugurada em 2025 na universidade.
A UFPA reuniu representantes com cerca de três mil estudantes quilombolas e 700 indígenas. O pró-reitor Ronaldo Marcos de Lima Araújo enfatizou a importância de dados demográficos para entender o país e reconheceu desafios da universidade diante da diversidade.
Inovações metodológicas no retrato dos povos indígenas no Censo 2022 e potencialidades
A palestra de Marta Antunes, gerente da DPE do IBGE, destacou avanços na coleta de dados junto a populações indígenas e as mudanças que tornaram o recenseamento mais preciso. Ela ressaltou a participação do movimento indígena como parceira desde a consulta inicial.
Antunes citou que o Censo 2022 registrou um aumento de 88% na população indígena. Entre as inovações, estão ajustes no questionário, criação de um instrumento específico para lideranças e treinamento diferenciado para recenseadores. Também houve comunicação adaptada aos povos, em várias línguas.
A ferramenta de autodeclaração foi discutida como mudança decisiva, refletindo a evolução metodológica. Ela lembrou que, por décadas, muitos povos não tinham opção de se autodeclarar, o que limitava os resultados. O Censo 2022 abrangeu 8.567 localizações indígenas e 391 etnias no país.
Dados do Censo Demográfico 2022
Foi apresentado o acesso aos dados indígenas no SIDRA, banco de dados do IBGE. A palestra reforçou que informações atualizadas ajudam a leitura da realidade brasileira. Também foi lembrado que a presença indígena cresce quando há reconhecimento do território e participação comunitária.
O seminário contou com a participação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI), representada por Richelly de Nazaré Lima da Costa. Ela destacou a necessidade de dados para dar visibilidade a povos que, por séculos, estiveram silenciados e que agora aparecem nos últimos censos.
Organizações estudantis indígenas marcaram presença, como APYEUFPA, DAIN (UFOPA) e o Coletivo Acadêmico da UNIFESSPA. O objetivo foi fortalecer redes de conhecimento, apoiar a autonomia dos povos e ampliar o diálogo entre saberes.
Entre na conversa da comunidade