A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, defende o fim da escala 6×1 como uma exigência do tempo atual, argumentando que a mudança ampliará o acesso de mulheres ao mercado de trabalho. Ela participou de evento no BNDES, no Rio de Janeiro, na última quarta-feira.
A ideia já é tema central do Congresso, que analisa o PL 1838/2026, de iniciativa do governo, para reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais e garantir dois dias de descanso remunerado sem redução salarial. O regime de urgência foi solicitado pelo governo federal.
Ainda tramitam PECs 221/19 e 8/25 sobre o tema. A Câmara instaurou comissão especial para analisar as propostas, que visam atualizar a legislação trabalhista sem perder competitividade. O tema divide opiniões entre trabalhadores e setores produtivos.
Para a ministra, o fim da 6×1 pode reduzir a sobrecarga de trabalho das mulheres, especialmente nas periferias e entre negras, contribuindo para igualdade salarial e melhores condições de entrada no mercado de trabalho.
Dados do 5º Relatório de Transparência Salarial apontam desigualdade: mulheres ganham em média 21,3% a menos que homens em empresas com 100 ou mais empregados. A Lei nº 14.611, de 2023, reforça a igualdade salarial para a mesma função.
A expectativa é que a mudança gere impactos positivos para as empresas, com redução de absenteísmo e maior produtividade, além de oferecer mais tempo livre para atividades como lazer e participação comunitária.
Estudos sobre o tema variam: a indústria aponta possíveis impactos negativos no PIB, enquanto análises do Ipea sugerem que os custos podem ser absorvidos pelo mercado, dependendo de ajustes salariais e empregabilidade.
Durante o evento no BNDES, foram anunciados R$ 80 milhões em iniciativas voltadas a mulheres empreendedoras e ao trabalho do cuidado em periferias, incluindo cozinhas comunitárias, lavanderias públicas e cuidadotecas.
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