O uso de IA para conteúdos políticos se intensifica nas redes, com ataques e desinformação em tom de campanha. Em estudo recente, 137 conteúdos com IA foram identificados entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, em meio à véspera das eleições de 2026.
O mapeamento mostra que apenas 27% sinalizaram o uso de IA com marcas d’água, legendas ou textos nas imagens. A maioria circulou sem aviso, especialmente no Instagram, TikTok e X, alimentando a disputa entre apoiadores de candidatos.
Panorama dos conteúdos sintéticos
Vídeos com avatares de figuras públicas surgem para críticos a governantes, incluindo críticas a Lula e ataques a ministros. A prática se relaciona a estratégias de campanha, com uso de personagens sintéticos para ampliar mensagens ideológicas.
A cinco meses das eleições, a IA está consolidando-se como ferramenta de comunicação política, criando conteúdos que simulam presença de autoridades e figuras públicas, tanto para sátira quanto para desinformação.
Ações judiciais e regras em vigor
O Tribunal Superior Eleitoral definiu regras para uso de IA, proibindo conteúdos eleitorais gerados por IA até 72 horas antes do voto e 24 horas depois. Também determinou que propagandas indiquem conteúdo sintético e qual tecnologia foi usada.
A Justiça Eleitoral tem enfrentado dificuldade para diferenciar sátira de desinformação e tem recebido denúncias de campanhas que recorrem a deepfakes. Casos envolvendo partidos e parlamentares já resultaram em ações e remoções de perfis.
Casos e impactos regionais
No início de 2026, o PT acionou a Justiça contra vídeos sintéticos atribuídos ao PL e a parlamentares, incluindo figuras públicas associadas a Lula. O PT também pediu a suspensão de um perfil de IA que criticava o governo.
Perfis manipulados com IA geraram engajamento expressivo, com milhões de visualizações. Um caso envolve a página Dona Maria, criada por um motorista de aplicativo, segundo reportagem da BBC Brasil, e que realiza críticas ao governo.
Vídeos criados com IA também aparecem com alusão a ministros e ex-ministros do STF, provocando resposta de autoridades brasileiras. A Justiça já analisou decisões de remoção de conteúdos por uso de IA com potencial ofensivo.
Cenário e perspectivas
Em estados, conteúdos de IA atingem candidaturas locais com sátiras a opositores. Decisões judiciais recentes determinaram a remoção de conteúdos e suspensão de perfis anônimos, citando leis que proibem propaganda de origem duvidosa e o uso de conteúdo fabricado para enganar o eleitor.
Especialistas destacam que a produção de conteúdos sintéticos deve crescer até as eleições, elevando a responsabilidade por danos informacionais. O desafio envolve velocidade de publicação e avaliação de liminares em curto prazo.
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