O governo de Luiz Inácio Lula da Silva enfrentou duas derrotas seguidas no Congresso na semana passada, revelando dificuldades de articulação política. As derrotas ressaltam o maior atrito entre o Palácio do Planalto e o Legislativo desde o início do mandato.
A avaliação de integrantes do governo aponta falhas na condução da relação com parlamentares. A atuação do advogado-geral da União, Jorge Messias, também foi questionada após a rejeição no STF, com expectativa de votos superiores às obtidas.
O Planalto esperava ampla aprovação, mas houve apenas 34 votos favoráveis. No dia seguinte, o Congresso derrubou o veto ao PL da Dosimetria, que reduz penas para quem cometeu tentativa de golpe. A votação acentuou o desgaste político entre as instituições.
Desarticulação e principais atores
A desarticulação é atribuída ao atual ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, e ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Após reunião com Lula no Palácio da Alvorada, Guimarães celebrou a suposta vitória, confiando na neutralidade do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
O ex-titular da SRI, Alexandre Padilha, foi movido para o Ministério da Saúde em meio a embates com o Parlamento. Houve críticas de lideranças da Câmara pela demora na liberação de emendas e na indicação de cargos de segundo e terceiro escalões. Em 2024, Padilha já havia recebido ataques de líderes da Casa.
Em março de 2025, a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) assumiu a SRI. Parlamentares elogiaram a disposição ao diálogo, mas a percepção de boa vontade recuou após agosto de 2025, com o Planalto surpreendido na composição da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS.
Novos desdobramentos no Congresso
Antes da nomeação de Gleisi Hoffmann, a articulação era vista com baixo impacto. O acordo costurado por Alcolumbre para favorecer governistas na CPI foi rompido quando Omar Aziz (PSD-AM) não foi eleito para presidir o colegiado; Carlos Viana (PSD-MG), da oposição, assumiu o posto e Alfredo Gaspar (PL-AL) tornou-se relator.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), chegou a anunciar ruptura com Lindbergh Farias (PT-RJ) por críticas à gestão de Motta e ao slogan Congresso inimigo do povo. A proximidade entre o Planalto e determinados interlocutores do Congresso ficou sob escrutínio.
Movimentações da dupla Lira e Wagner
Ao longo do período, divergências internas também marcaram o ambiente. Alcolumbre afastou-se de Wagner, citando o pouco empenho do petista em impedir a indicação de Messias e substituí-lo por Rodrigo Pacheco (PSB-MG), conforme pretensão do presidente do Senado.
Apesar das mudanças, aliados de Lula defendem retaliação contra Alcolumbre, que detém cargos de grande poder público. A atuação dele inclui ações como a abertura de escritório da Codevasf no Amapá, visando ampliar influência institucional na região.
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