A ação do PT contra a personagem de IA conhecida como Dona Maria, que criticava o governo Lula, ganhou desdobramentos no ambiente digital. Em resposta, páginas pró-governo passaram a criar personagens femininos negras virtuais que apoiam pautas como a redução da jornada de trabalho e o controle de combustíveis, ao mesmo tempo em que criticam Bolsonaro.
Segundo relatos, a Federação Brasil da Esperança — coalizão que reúne PT, PCdoB e PV — ingressou com uma ação na Justiça Eleitoral para retirar do ar a página da Dona Maria. A medida ocorreu dias antes de iniciativas semelhantes de influentes perfis de apoio ao governo.
As novas peças digitais lançadas pelos apoiadores do governo mostram mulheres negras destacando propostas como fim da escala 6×1 e medidas para conter a alta de preços de combustíveis. O objetivo é, segundo a linguagem das publicações, contrapor críticas ao governo e ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Entre as personagens, uma semelhança com a Dona Maria original é perceptível, inclusive na aparência. Os vídeos trazem mensagens sobre políticas do governo para reduzir custos, bem como críticas a gestões anteriores associadas a Bolsonaro e à família dele.
Outro conjunto de vídeos aborda a questão dos combustíveis, defendendo que houve cortes de impostos e fiscalização para frear abusos. As falas mencionam ainda críticas à venda de refinarias, atribuídas a gestão anterior, como parte da narrativa.
As publicações em redes sociais aparecem em perfis como Jovem Esquerda, Lula pela Verdade e Esquerda Brasil. Em ambos os lados, os conteúdos indicam o uso de IA e avisam que as pessoas não estão falando com indivíduos reais.
A Dona Maria original, que chegou a mais de 750 mil seguidores no Instagram, teve a conta suspensa no TikTok. O motorista de aplicativo que administra a página afirma ter criado o perfil sem apoio externo. A ação do PT foi apresentada ao TSE no dia 22, e não há decisão até o momento desta publicação.
O caso envolve a regulamentação do uso de inteligência artificial na comunicação política, tema apontado como desafio importante para a campanha presidencial deste ano. O tribunal ainda não proferiu decisão sobre a remoção da página alvo da ação.
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