O estado de São Paulo registrou 142 mortes decorrentes de intervenção policial (MDIPs) no primeiro trimestre de 2026, 5 a mais que no mesmo período de 2025. Entre policiais em serviço, foram 134 mortes, mantidas em igual patamar de 2025. Já entre policiais fora de serviço, o número subiu de 29 para 33, no mesmo recorte temporal.
O levantamento é do Ministério Público de SP, compilado pela Gaesp, com dados repassados pelas polícias Civil e Militar. Os MDIPs são acompanhados pelo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana e pelo ouvidor da Polícia, com base em relatório dinâmico do MP.
O público alvo da pesquisa é a letalidade policial, medida a partir de ocorrências envolvendo agentes. As informações reforçam a necessidade de avaliação de políticas públicas, controle de uso da força e condições de trabalho dos agentes.
Mudança de cenário recente
Em comparação com governos anteriores, a atuação da Polícia Militar em serviço registrou queda entre 2019 e 2022, com reduções graduais. A partir de 2023, a letalidade policial voltou a crescer, chegando a 703 mortes em 2025 e 653 em 2024, segundo o MP.
O ouvidor Mauro Caseri afirmou que a violência policial não pode aumentar como regra. Ele citou impactos de saúde mental, salários, carga de trabalho e necessidade de controle de uso de força como fatores relevantes para o cenário atual.
Adilson Santiago, presidente do Condepe, classificou o quadro como crise de segurança pública, com crescimento da violência policial e violação de direitos. Ele ressaltou a desigualdade de tratamento entre populações negras e periféricas.
Para reduzir a letalidade, Caseri propõe melhoria das condições de trabalho, fiscalização do uso de câmeras, revisão de protocolos e maior transparência. Ele aponta fadiga e suporte institucional como fatores críticos que precisam de atenção.
Medidas em andamento
A SSP afirma que as ocorrências são investigadas com acompanhamento das corregedorias, do Ministério Público e do Judiciário. O estado diz ter implementado medidas para reduzir a letalidade, com protocolos mais rigorosos e capacitação de agentes.
A SSP também mencionou a ampliação de tecnologias de menor potencial ofensivo, como espargidores, bastões retráteis e armas de incapacitação neuromuscular, com investimento superior a R$ 27,8 milhões. O objetivo é reduzir a necessidade do uso da força.
Segundo a secretaria, o programa Muralha Paulista integra dados e tecnologia para aumentar a eficiência das ações. O sistema já envolve mais de 125,5 mil câmeras conectadas a redes de monitoramento, com cobertura que ultrapassa 70% da população.
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