O Instagram se firma como o principal habitat de conteúdo gerado por IA, com 81,5% das publicações analisadas pelo estudo. Instituições, governantes e candidatos disputam engajamento e visibilidade entre perfis com autoria não identificada.
O levantamento, do Instituto Democracia em Xeque, avaliou 3.314 publicações entre 10 e 24 de abril. A pesquisa aponta que perfis chamados sombrios alcançam engajamento próximo ao de protagonistas da política.
Perfil sombrio ganha corpo e afeta o debate
Entre os exemplos, destaca-se Dona Maria, usando IA para criar imagem realista de uma mulher negra idosa. A conta soma 792 mil seguidores e veicula vídeos que criticam PT, Lula e o STF.
A atuação dessa conta gerou preocupação entre partidos, que protocolaram em 22 de abril uma representação no TSE para suspender o perfil em várias plataformas, incluindo Instagram, TikTok, Facebook, YouTube e X.
A justificativa é que a imagem pode ser confundida com uma pessoa real. No entanto, as publicações subsequentes não deixam claro que se trata de uma personagem criada por IA.
Discurso de candidatos e uso de IA na rede
No período analisado, a terceira publicação mais engajada tem 47 mil interações, vinda da Dona Maria. Em primeiro lugar ficou o ex-governador de Minas, Romeu Zema, com 137 mil, seguido pelo perfil Lulaverso, do PT, com 72 mil.
Zema utiliza vídeos com narração em IA intercalada por cenas geradas digitalmente. O conteúdo vincula o feriado de Tiradentes a críticas ao governo, incluindo o STF, e menciona outros agentes como o Banco Master.
O estudo identifica que Zema consolidou-se como um candidato anti-STF, com forte engajamento digital. Parte das postagens analizadas faz referência ao STF ou a seus ministros.
Impacto e participação de partidos
Entre contas institucionais, o PT aparece com o maior número de publicações marcadas com IA no Instagram (235). Em seguida, aparecem PSD (179), MDB (176) e PL (155).
Quando os dados são agregados por campo político, a direita concentra a maior parcela de posts e interações, enquanto a esquerda mantém maior peso de conteúdos rotulados como edição por IA, aponta o relatório.
Marcelo Alves, pesquisador do DX, afirma que a pesquisa oferece dados empíricos sobre o uso da IA por contas sombrias e por atores institucionais, evidenciando a presença da tecnologia na propaganda negativa e na circulação política.
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