A comissão responsável pela apuração de mortes políticas revisita o caso da morte de Juscelino Kubistchek, ocorrida em 1976. O novo relatório da CEMDP utiliza três vídeos em 3D criados pelo perito Sérgio Eisemberg em 2019 para analisar o acidente que ceifou a vida do ex-presidente e de seu motorista, Geraldo Ribeiro. Segundo o documento, os laudos originais apresentam causas fisicamente improváveis.
O material indica inconsistências na versão oficial, defendida pela ICCE na década de 1970. O Opala, segundo os vídeos, teria acelerado durante uma ultrapassagem, em meio a uma curva, o que violaria as possibilidades de uma colisão pela traseira com o ônibus. Ademar Jahn, motorista do caminhão, sobreviveu; o motorista do ônibus foi inocentado pela Justiça fluminense.
Versões contestadas pelo método 3D
A nova análise contestaria a versão que apontava o acidente como colisão frontal de alta velocidade após ultrapassagem irregular. O perito afirma que a trajetória do Opala não permitiria atingir a traseira do veículo atacante sob condições normais, sem reação defensiva. Também há questionamento sobre a possibilidade de falha mecânica no Opala não ter sido investigada nos laudos de 1976.
Segundo Eisemberg, fotos do local sugerem que danos nos para-lamas seriam de origem posterior, possivelmente pelo içamento do carro ou por impactos subsequentes. Ele destaca ainda que o contexto político da época, com direitos parlamentares suspensos, pode ter influenciado as investigações. O relatório da CEMDP, ainda em avaliação, aponta que a morte de JK pode ter sido provocada, não acidental.
Entre na conversa da comunidade