O sócio-fundador da Quaest, Felipe Nunes, avaliou o cenário da corrida presidencial nesta terça-feira em Nova York. Em evento promovido pelo Estadão, ele apontou quatro pontos positivos e quatro negativos para o presidente Lula nas eleições deste ano. A leitura é de que o petista pode capitalizar espaço político, mesmo diante de desafios econômicos.
Segundo Nunes, uma vantagem envolve o que chama de “caso Vorcaro” e a crise do Banco Master, que alimentam um discurso de deterioração do sistema. Ele afirmou que o desempenho do Judiciário e a percepção pública sobre justiça ajudam Lula a reforçar a narrativa de enfrentamento a adversários do governo.
Além disso, o pesquisador destacou o esforço do governo para reduzir o endividamento familiar via o Desenrola Brasil e sua evolução para o Desenrola 2.0. Segundo ele, essa linha de atuação pode aproximar o governo de eleitores endividados, mesmo que haja dúvidas sobre o alcance dos resultados.
Outra vantagem apontada é o avanço da agenda internacional de Lula, com boa relação com líderes globais. Nunes afirmou que o presidente transita com facilidade entre potências, o que o coloca como um personagem de “paz” em um cenário internacional conflituoso.
Desvantagens
A avaliação também lista quatro entraves. A principal envolve a discrepância entre números econômicos e a percepção do público. O pesquisador destacou que, apesar de desemprego sob controle e inflação baixa, a população percebe piora no bolso e dificuldades no dia a dia.
O queixa-se de uma dissonância cognitiva entre a percepção dos brasileiros e indicadores formais, segundo Nunes. Ele citou dados que mostram melhoria econômica, na leitura dele, mas oposição de percepção entre a população.
Outra desvantagem envolve o impacto de decisões políticas que geram críticas entre setores da sociedade. A leitura é de que resistências internas favorecem a oposição em certos temas, ainda que haja avanços em áreas específicas.
A agenda externa também pode ser fonte de desconforto. Embora o governo seja visto como ativo internacionalmente, há resistência de parte do eleitorado a compromissos financeiros ou cláusulas de cooperação com países de diferentes perfis.
Por fim, o enfoque em disputas judiciais e a relação com o Judiciário costumam entrar no radar dos eleitores. A percepção de tensões entre poderes e instituições é citada como ponto sensível na avaliação de gestão.
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