Em um grupo de WhatsApp monitorado por pesquisadores da UERJ, uma advogada de 29 anos de São Paulo afirma não ter se surpreendido com o áudio em que Flávio Bolsonaro negocia patrocínio com Vorcaro. A analista aponta que apoiadores fiéis vão manter o apoio, enquanto quem estava em dúvida pode não votar mais no senador.
A pesquisa, realizada pelo estudo coordenado pela UERJ com apoio do INCT/ReDem, revela desgaste entre conservadores menos ideológicos. O conteúdo do áudio divulgado pelo The Intercept Brasil em 13 de maio mostra Flávio negociando repasses para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. O montante total seria de US$ 24 milhões, com cerca de US$ 61 milhões liberados de fevereiro a maio de 2025.
Entre bolsonaristas convictos, o desgaste foi mais contido, e o apoio permanece estável para os que interpretam o episódio como perseguição midiática. Já entre bolsonaristas moderados e, sobretudo, entre conservadores indecisos, surgiram críticas à credibilidade de Flávio e dúvidas sobre a condução da campanha.
Os pesquisadores acompanham seis segmentos de eleitores desde 2023, com perguntas semanais sobre fatos recentes. O áudio trouxe reações diferenciadas: de uma visão de crise de credibilidade entre moderados a defensores de que a direita precisa permanecer unida, para evitar fortalecer oponentes.
Entre os indecisos, a percepção é mais impiedosa: há desconfiança sobre a relação entre política e empresariado e receio de que o episódio aumente a abstenção. Em contrapartida, parte dos conservadores mantém o foco na preservação do campo, citando antipetismo forte e a falta de nomes fortes alternativos.
A repercussão também provocou críticas à condução da narrativa pela imprensa e a percepção de uso político do material. Simultaneamente, houve debate sobre a necessidade de esclarecimentos adicionais por Flávio Bolsonaro para reduzir dúvidas entre eleitores indecisos.
Mudanças no cenário da direita
A pesquisadora Carolina de Paula ressalta que, entre bolsonaristas moderados, há resistência a abandonar a candidatura de Flávio, embora reconheçam a importância de explicações claras. A crise é vista como um momento de recalibração da relação com o eleitor conservador.
O episódio pode ampliar o espaço para candidaturas que busquem capturar o eleitorado moderado cansado da polarização, segundo a pesquisadora. Perguntas sobre transparência e coerência aparecem como pontos centrais para possíveis mudanças no apoio à direita.
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