Kurt Olsen, assessor da Casa Branca próxima ao gabinete de Donald Trump, liderou um esforço para banir máquinas de votação usadas em mais da metade dos estados dos EUA. A iniciativa foi baseada em dúvidas sobre se componentes poderiam ser considerados riscos à segurança nacional, segundo pessoas com conhecimento direto do caso.
O plano visava reduzir a participação de sistemas de voto automatizados e promover um modelo nacional com cédulas de papel contadas manualmente. A ideia apareceu em meio a discussões sobre o controle federal das eleições, defendidas publicamente por Trump. Especialistas em segurança apontam que o método seria menos preciso e mais vulnerável a erros.
A iniciativa ganhou impulso entre autoridades do Departamento de Comércio, que passaram a avaliar fundamentos legais para a medida a partir de setembro. No entanto, Olsen e outros assessores não apresentaram provas suficientes para sustentar a mudança, levando ao seu recuo e ao abandono do esforço.
Contexto e participação de órgãos
Entre os auxiliares que integraram as discussões estavam Paul McNamara, ligado à inteligência, e Brian Sikma, do Conselho de Política Doméstica da Casa Branca. Olsen atuou em cooperação com o Escritório do Diretor de Inteligência Nacional. A expectativa era que o governo federal assumisse maior controle sobre as eleições estaduais.
McNamara chefiava uma força-tarefa do Odni para investigar vulnerabilidades de máquinas de votação. Em julho, ele pediu ao Departamento de Comércio que analisasse classificar chips e softwares da Dominion como riscos à segurança nacional. O Departamento, por meio de seu porta-voz, afirmou não ter discutido a integridade eleitoral com McNamara.
Reações e cenário político
Reportagens indicam que integrantes do governo pressionaram por acesso a registros e equipamentos eleitorais, em ao menos oito estados, sob a ótica de fraudes já rejeitadas por tribunais. O governo também trabalha para redesenhar distritos eleitorais antes das eleições de meio de mandato.
Analistas lembram que mais de 98% das jurisdições já utilizam registro em papel para cada voto. O modelo atual híbrido costuma ser visto como balanceado entre tecnologia e auditorias. Críticos da mudança alertam para riscos de contagem manual e maior probabilidade de erros ou fraudes.
O porta-voz da Casa Branca classificou a reportagem como baseada em vazamentos seletivos e desinformação. Os membros citados não responderam aos pedidos de entrevista. Ao comentar, o senador Alex Padilla criticou o envolvimento de Olsen e pediu medidas cabíveis.
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