Marcos Nobre, filósofo e cientista político da Unicamp, afirma que a terceira via é uma ilusão para o pleito de 2026. Em entrevista à BBC News Brasil, ele analisa o efeito das conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro sobre a campanha presidencial.
Segundo ele, a relação não impede Flávio de chegar ao segundo turno. Nobre diz que o timing da crise ajuda o filho do ex-presidente, porque dá tempo para a recuperação até outubro. Ele aponta que Flávio já parte com base de apoio estável.
Nobre destaca que Flávio se beneficia de um “partido digital bolsonarista”, visto como eixo central. O livro que ele lançará em junho discute esse tema com Ana Cláudia Chaves, pelo Cebrap.
Sem terceira via e divisão estrutural
Para o pesquisador, não há espaço para uma candidatura de terceira via. A disputa atual seria entre duas coalizões: redistributivista, ligada a políticas de renda, e anti-redistributivista, ligada a frear tais políticas.
Ele afirma que a divisão decorre da distribuição da riqueza e não apenas de disputas entre esquerda e direita. A coalizão redistributivista envolve setores da esquerda e parte da direita tradicional.
Nobre indica que a extrema direita lidera a coalizão anti-redistributivista via o ecossistema digital. OBolsonarismo seria sustentado por esse partido digital, com capacidade de coordenar, engajar e disputar eleições.
Cenários institucionais e governabilidade
O pesquisador analisa o Congresso: o presidencialismo de coalizão teria passado a um governo de minoria, com orçamento intenso em emendas. O Centrão atua como bloco e condiciona votações, dificultando acordos amplos.
Segundo ele, o STF passou a exercer papel central para conter avanços do Congresso. O cenário indica maior dificuldade para governabilidade de qualquer governo, com mudanças que podem piorar a implementação de políticas.
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