O Departamento de Estado dos EUA classificou o CV, Comando Vermelho, e o PCC, Primeiro Comando da Capital, como Terroristas Globais Especialmente Designados. Em entrevista ao CNN Prime Time, o professor e especialista em segurança pública Rafael Alcadipani avaliou a decisão e reforçou que enfrentar as facções é uma questão de segurança pública.
O especialista reconheceu que a designação é uma decisão soberana dos EUA e afirmou que, segundo a legislação brasileira, as duas organizações não são reconhecidas como terroristas no Brasil. Ele, contudo, destacou que o Brasil tem enfrentado o problema de forma insuficiente ao longo das últimas décadas.
Alcadipani afirmou que as facções cresceram de modo desordenado nos últimos 20 anos, com infiltração significativa na economia e na sociedade. Segundo ele, a omissão das autoridades deixou o País exposto a pressões internacionais e a sanções decorrentes da situação.
Cooperação entre países e plano nacional
O professor também ressaltou que a designação não resolve, por si só, o enfrentamento ao crime organizado. Ele expressou otimismo de que a medida possa ampliar a cooperação entre Brasil e Estados Unidos, especialmente em áreas como fluxos financeiros e preparo das polícias.
Para ele, o problema envolve disputas geopolíticas e questões de poder regional, exigindo um plano nacional claro. A meta é um enfrentamento firme, sem aceitar narrativas partidárias, com participação da federação e dos estados.
Alcadipani defendeu maior integração entre agências nacionais, como Ministérios Públicos Estaduais, Polícia Federal e Receita Federal, além de cooperação com países da região e do mundo. Ele destacou o papel da Receita Federal na inteligência financeira nas investigações.
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