O Senado dos Estados Unidos rejeitou nesta sexta-feira abrir o debate sobre a renovação da Seção 702 da Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira (Fisa). A votação foi de 52 a 47, impedindo a evolução do tema antes de o prazo expirar em 12 de junho. A pauta envolve autorizar monitoramento de comunicações de estrangeiros sem mandados.
O impasse envolve a nomeação de Bill Pulte, aliado de Donald Trump, para atuar como diretor interino da comunidade de inteligência. Democratas condicionaram a votação à reversão da indicação, caso Pulte não substituísse Tulsi Gabbard no cargo até 30 de junho. O grupo prevê controles reforçados para dados de cidadãos estadounidenses incidentalmente coletados.
Nesta queda de braço, sete republicanos juntaram-se aos democratas: todos, menos um, votaram contra a abertura do debate. Líderes republicanos destacaram a necessidade de avaliar se a nomeação de Pulte prejudica a renovação dos poderes de vigilância sem ordem judicial. A Casa Branca defendeu que a renovação não deve ser atrapalhada pela nomeação.
Desdobramentos e contexto
A Casa Branca argumentou que adiar a renovação coloca em risco a segurança nacional. O porta-voz Davis Ingle descreveu a medida como essencial e criticou a postulação de obstáculos político-partidários. Segundo o governo, manter a Fisa sob disputa enfraquece a resposta a ameaças externas.
Pulte, até recentemente à frente de uma agência reguladora de hipotecas, teve acesso a informações confidenciais para apoiar investigações sobre supostas fraudes envolvendo adversários políticos de Trump. Não houve acusações formais contra os alvos até o momento, de acordo com as informações disponíveis.
Alguns parlamentares demonstraram preocupação com o uso potencial do poder de investigação para ações contra indivíduos próximos a Trump, bem como com a continuidade de alegações não comprovadas sobre irregularidades eleitorais em 2020. Trump indicou que a nomeação é temporária, enquanto o país se aproxima das eleições de meio mandato.
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