O Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) abriu procedimento para investigar a conduta do procurador-geral da República, Paulo Gonet, com base em mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro que mencionam o PGR e indicam uma possível proximidade entre os dois.
As mensagens foram reveladas em relatório da Polícia Federal elaborado no âmbito das investigações da Operação Compliance Zero, a partir da análise do celular de Daniel Vorcaro, preso preventivamente por suspeita de fraude financeira.
A decisão do MPF partiu de um pedido do partido Novo. A legenda pede o afastamento cautelar de Gonet das investigações relacionadas ao Banco Master, além da designação de um subprocurador-geral independente para atuar nos casos.
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No relatório, a PF afirma que não encontrou o contato de Gonet salvo no celular de Vorcaro, mas identificou uma série de mensagens em que o procurador-geral é mencionado, principalmente em conversas do banqueiro com o advogado Ciro Soares.
Em uma delas, de abril de 2024, Ciro afirma a Vorcaro que “Gonet é firme” e relata, em áudio, ter pedido ao procurador-geral que interviesse para convencer uma pessoa a retirar uma candidatura. Segundo o advogado, Gonet teria ligado posteriormente para informar que a pessoa desistiria.
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Em março de 2025, Ciro enviou a Vorcaro uma foto ao lado de Gonet e escreveu: “Liga aqui” e “Ele quer falar com você”. Na sequência, foram registradas quatro ligações entre Ciro e Vorcaro. O relatório não afirma, no entanto, que Gonet tenha participado das chamadas.
Dias depois, Ciro encaminhou ao banqueiro mensagens que atribuiu a Gonet. Em uma delas, o interlocutor afirma estar “na torcida por vocês”. Ciro também escreveu a Vorcaro que Gonet “lhe adora” e que viajaria a Londres com o grupo.
O documento registra ainda que, em 29 de março, Ciro disse que Gonet havia perguntado se o filho poderia acompanhá-los na viagem a Londres. Vorcaro respondeu: “Óbvio né”. Posteriormente, ao ser questionado por uma funcionária sobre quais convidados teriam as despesas da viagem pagas, o banqueiro respondeu “Pedro e Ciro ok”, em referência, segundo a PF, a Pedro Gonet e Ciro Soares.
Outro trecho do relatório aparece em uma nota escrita por Vorcaro em outubro de 2025 e posteriormente enviada ao contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. Após mencionar pressão do Banco Central, da Polícia Federal e do Ministério Público, Vorcaro escreveu que seria importante “reforçar com Andrei e Paulo” para evitar que alguém “de baixo” tomasse alguma medida contra ele. Para os investigadores, “Andrei” pode ser referência ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e “Paulo”, a Gonet.
A divulgação do relatório também levou o presidente do STF, Edson Fachin, a cobrar esclarecimentos das autoridades mencionadas. Na quinta-feira (3), ele determinou que André Mendonça, Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, prestem informações à Corte no prazo de cinco dias úteis.
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