A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República sinalizam que podem recusar a segunda delação premiada de Daniel Vorcaro caso a proposta não traga novidades relevantes sobre os desvios, incluindo ligações com figuras de poder no caso do Banco Master. A decisão ainda não foi tomada, mas a tendência é a de descartar o acordo se faltar conteúdo substancial.
A PF afirma que a efetividade da delação depende de informações capazes de desvelar malfeitos e identificar cúmplices, incluindo autoridades que tenham ajudado a organização criminosa. Se a proposta não avançar nesses pontos, a recusa ganha força.
Geralmente, a delação premiada busca quebrar o silêncio de organizações criminosas, permitindo que delinquentes confessem em troca de benefícios processuais. No caso de Vorcaro, os investigadores avaliam se o material já apreendido oferece material suficiente para instruir o processo.
Segundo relatos, celulares apreendidos pela PF podem conter provas técnicas relevantes para a apuração. Esse volume de dados aumenta a dificuldade de obter vantagens na negociação, segundo especialistas ouvidos pela imprensa.
O tema envolve ainda o ressarcimento de valores desviados. Vorcaro havia pedido um prazo de dez anos para devolver parte do dinheiro, mas essa condição é considerada inadequada pelo Ministério Público, com base em práticas anteriores.
Entre os pontos de interesse público, estão os vínculos entre a operação do Master e autoridades de alto escalão. A delação pode revelar ligações com ministros do Supremo Tribunal Federal, como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ou familiares deles, conforme relatos de terceiros.
A pauta, portanto, depende da capacidade de Vorcaro e de seus advogados de apresentar provas robustas que avancem na elucidação de todos os malfeitos. O inquérito tramita no STF, o que adiciona complexidade às tratativas da delação.
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