O coletivo de jovens indígenas apresentou uma petição ao sistema judiciário peruano para criar uma Comissão da Verdade e investigar o que chamam de genocídio da borracha. O objetivo é reconhecer o sofrimento vivido pelas comunidades tradicionais entre as décadas de 1880 e 1920, durante o ciclo da borracha.
O movimento é encabeçado pelo coletivo Tsiuni, formado por jovens descendentes de povos indígenas. Cerca de 40 depoimentos já foram reunidos, incluindo relatos de familiares que viveram o período. A ação busca não apenas justiça, mas reconhecimento histórico.
Os jovens destacam que Iquitos, na Amazônia peruana, vivenciou prosperidade paralela a violência. A cidade recebeu investidores europeus e passou a abrigar grandes plantações e rotas de extração, com registros de abusos a trabalhadores indígenas.
Comissão da Verdade
O grupo afirma que a narrativa local precisa ser reescrita. Segundo Omar Navarro, 19 anos, relatos de familiares revelam marcas de chicotes e jornadas longas de trabalho. A petição solicita formalmente a criação de um órgão para apurar responsabilidades.
Ainda segundo o coletivo, a maioria das mortes ocorreu entre 1880 e 1920 e atingiu dezenas de milhares de pessoas. Historiadores estimam perdas que, hipoteticamente, chegam a cerca de 100 mil indivíduos deslocados ou mortos. A demanda envolve reparação e reconhecimento público.
O movimento ressalta que o passado não foi apenas lucrativo para empresários estrangeiros, mas também marcado por violência. O objetivo é mudar a percepção de que a era da borracha foi apenas um ciclo econômico, destacando o caráter de violação de direitos humanos.
Contexto histórico e ameaças atuais
A reportagem aponta que a região manteve silêncio por décadas. Autores e diplomatas da época já descreviam as atrocidades, enquanto estudos recentes ajudam a contextualizar o período. A relação entre a cidade de Iquitos e o ciclo da borracha é apresentada como parte de uma herança complexa.
Hoje, a preocupação se volta para a proteção de territórios diante do garimpo ilegal. A organização aponta que a exploração de ouro na Amazônia continua com impactos sociais e ambientais. Dados apontam assassinatos de lideranças indígenas ligadas à defesa de seus territórios.
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