Meta lidera o ranking de fornecedores das campanhas eleitorais em 2026 e concentra cerca de R$ 7,54 milhões em despesas com impulsionamento.
O impulsionamento de conteúdos nas redes sociais vem se consolidando como um dos principais métodos de propaganda eleitoral utilizados pelos candidatos nas eleições brasileiras — e grande parte dos recursos destinados a esse tipo de publicidade tem como destino a Meta, dona do Facebook e do Instagram. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que a Meta é a empresa que mais recebeu recursos das campanhas eleitorais em 2026, concentrando cerca de R$ 7,54 milhões em despesas com impulsionamento.
Desconsideradas as transferências entre prestadores de contas — isto é, movimentações de recursos dentro da própria estrutura eleitoral, como repasses de partidos a candidatos ou entre candidaturas —, as campanhas registraram R$ 28,7 milhões em saídas de recursos até 27 de agosto. Desse total, R$ 12,1 milhões foram destinados ao impulsionamento de conteúdos, o equivalente a 42,2%. O valor gasto diretamente com a Meta corresponde a aproximadamente 62% de todas as despesas registradas nessa modalidade.
Esse movimento também envolve dinheiro público. Dos R$ 3,4 milhões do Fundo Eleitoral gastos pelas campanhas até o momento, R$ 1,7 milhão foi destinado ao impulsionamento de conteúdos, o equivalente a 50% do total.
Dessa forma, os números mostram não apenas uma forte concentração dos investimentos em publicidade digital em uma única empresa, mas também a consolidação de um modelo de campanha em que milhões de reais em recursos públicos são direcionados aos cofres das gigantes de tecnologia.
Impulsionamento domina os gastos das campanhas com a Meta
A análise das despesas registradas diretamente no CNPJ da Meta mostra que praticamente todo o dinheiro destinado à empresa é usado para aumentar o alcance de conteúdos publicados pelas campanhas.
Em uma das atualizações da base do TSE analisadas pela reportagem, a empresa somava R$ 7.561.880,06 em despesas. Oficialmente, R$ 7.537.100,07 estavam classificados como “Despesa com Impulsionamento de Conteúdos”.
Um lançamento de R$ 10 mil, no entanto, aparecia no sistema como “Publicidade por materiais impressos”. A despesa havia sido registrada pela campanha do candidato rondoniense Célio Lopes de Araújo Júnior, tendo a Facebook Serviços Online do Brasil como fornecedora.
O registro chamou atenção porque a Meta não comercializa materiais impressos, como panfletos ou santinhos, mas serviços relacionados às suas plataformas digitais. Procurada pela reportagem, a campanha confirmou que houve erro no preenchimento da prestação de contas e informou que os R$ 10 mil foram, na realidade, destinados ao impulsionamento de conteúdo.
Com a correção informada pela própria campanha, R$ 7.547.100,07, ou 99,8% de todo o valor registrado para a Meta, correspondem a impulsionamento. Os R$ 14.779,99 restantes foram classificados como “Criação e inclusão de páginas na internet”, modalidade prevista na legislação eleitoral.
Gastos com a Meta cresceram nas últimas eleições
O impulsionamento pago de conteúdos político-eleitorais passou a ser permitido no Brasil nas eleições de 2018, após a minirreforma eleitoral promovida pela Lei nº 13.488/2017, que alterou a Lei das Eleições.
Desde então, os valores registrados diretamente no CNPJ da Facebook Serviços Online do Brasil Ltda. nas prestações de contas eleitorais cresceram significativamente, segundo levantamento feito pela reportagem a partir dos dados do TSE.
Nas eleições gerais de 2018, foram R$ 23,2 milhões. Dois anos depois, nas eleições municipais de 2020, o valor chegou a R$ 35,5 milhões. Em 2022, saltou para R$ 129,7 milhões e, nas eleições municipais de 2024, alcançou R$ 201,5 milhões.
A concentração desse mercado também foi reforçada pela saída do Google da publicidade político-eleitoral no Brasil. Desde 2024, a empresa proíbe em suas plataformas anúncios sobre eleições, partidos políticos, federações e coligações, cargos eletivos, propostas de governo e outros temas relacionados ao processo eleitoral. A restrição segue em vigor em 2026.
Entre na conversa da comunidade