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Chapa de Lula aciona TSE e alega irregularidades na campanha de Flávio

Ações questionam TV Celular, rede de perfis no Instagram e publicações com IA; uma delas já teve medidas cautelares concedidas pelo tribunal

Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência da República (Foto: Charles Vieira)

A coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra supostas irregularidades na estratégia digital da campanha de Flávio Bolsonaro (PL).

Os questionamentos envolvem três frentes: a TV Celular, plataforma de vídeos ligada à campanha do senador; conteúdos que, segundo a coligação de Lula, usam inteligência artificial e edições para atacar o petista; e uma rede de publicações em colaboração no Instagram.

TV Celular é alvo de pedido de suspensão

Em uma das representações, a campanha pede a suspensão da TV Celular por suposta falta de identificação da propaganda eleitoral. Levantamento apresentado ao TSE aponta que apenas 15 dos 883 vídeos disponíveis informam o candidato, o vice Alfredo Gaspar e o partido. A plataforma também permite baixar os conteúdos para compartilhamento em outras redes.

A coligação afirma que o formato pode levar o eleitor a confundir os vídeos com conteúdo editorial. Além da suspensão da plataforma até a regularização do acervo, pede, como alternativa, o bloqueio da função de download e aplicação de multa.

Pedidos de direito de resposta

A campanha de Lula também apresentou 20 pedidos de direito de resposta contra publicações atribuídas ao PL e a Flávio Bolsonaro no Instagram.

Segundo a coligação, os conteúdos utilizam cortes, montagens e materiais produzidos com inteligência artificial para associar Lula a crimes ou distorcer declarações do presidente.

Os pedidos solicitam a retirada das publicações e a concessão de direito de resposta nos perfis responsáveis pelo conteúdo.

O TSE estabeleceu neste mês critérios específicos para caracterizar deepfakes e outras formas de conteúdo sintético nas eleições de 2026.

TSE abre investigação sobre rede de perfis no Instagram

Outra ação questiona uma rede de publicações em collab no Instagram. Segundo a campanha de Lula, foram identificadas 1.826 postagens envolvendo 492 perfis, com repetição dos mesmos grupos de coautores e concentração das publicações em um período de dez dias.

Na ação, a coligação pediu que o TSE investigasse quem administra e financia essa estrutura, além da preservação de dados pela Meta e da identificação de responsáveis por perfis e links comerciais. Também apontou que algumas contas direcionavam seguidores para a venda de produtos com referências à campanha de Flávio.

Nesta terça-feira (22), o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor-geral da Justiça Eleitoral em exercício, admitiu a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) e determinou o prosseguimento do processo contra Flávio, Alfredo Gaspar e o deputado federal Mario Frias (PL-SP).

Cueva também concedeu parcialmente os pedidos de urgência. A Meta deverá preservar registros e metadados das publicações investigadas, fornecer dados que permitam identificar os responsáveis por determinados perfis e suspender links de venda divulgados por algumas contas.

A Shopee terá de informar os responsáveis pela loja Bella Chic Store e identificar os titulares de links divulgados pelos perfis. As empresas têm prazo de 48 horas para cumprir as determinações e estão sujeitas a multa diária de R$ 50 mil.

O ministro negou, neste momento, o pedido para suspender a venda dos produtos. Segundo a decisão, ainda não há elementos que comprovem vínculo entre a loja e as candidaturas ou que os recursos obtidos com as vendas sejam destinados à campanha.

No mérito, a coligação pede a apuração de possível abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação, além da cassação dos registros de candidatura e da declaração de inelegibilidade por oito anos. Esses pedidos ainda não foram julgados.

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