Aliados de Flávio Bolsonaro (PL) e lideranças de partidos do centro à direita se posicionaram sobre a “Carta à nação brasileira”, na qual o senador derrotado nas eleições presidenciais chegou a se proclamar como candidato eleito após chegar aos Estados Unidos, para onde viajou apesar de uma proibição judicial.
O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, vinha evitando se pronunciar desde terça-feira (27), quando surgiram os primeiros indícios da saída do senador do Brasil. Enquanto a imprensa questionava o paradeiro do parlamentar, Valdemar publicava uma foto em seu perfil no Instagram ao lado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, afirmando na legenda que a reunião visava definir o futuro do partido.
Na quarta-feira (28), a caminho da residência de Jair Bolsonaro — após obter autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para visitar o ex-presidente —, o dirigente declarou publicamente seu descontentamento com a iniciativa de Flávio, afirmando à imprensa que não gostou do posicionamento do senador.
“Não gostei”, disse o líder do Partido Liberal do senador, Valdemar Costa Neto, a repórteres na quinta-feira, quando questionado sobre a carta.”Flavio passou por uma situação difícil — nós entendemos isso — mas não a aprovamos. Queremos que o país avance”, disse ele mais tarde.
A vitória de Lula foi reconhecida pela autoridade eleitoral brasileira, por líderes mundiais, por observadores internacionais e pelo próprio partido de Bolsonaro.
Posicionamento dos aliados e partidos
Durante a campanha eleitoral, Flávio contou com o apoio de importantes lideranças regionais, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB). No final da quarta-feira, ambos se manifestaram ao jornal O Estado de S. Paulo.
Ricardo Nunes, que participou de quase todos os atos da campanha de Flávio na capital paulista e faz oposição ao governo federal, reiterou que as definições registradas nas urnas e oficializadas pela Justiça Eleitoral devem ser respeitadas, reforçando que o presidente do país é aquele escolhido pela população.
Já o governador Tarcísio de Freitas — que esteve ao lado do candidato no domingo acompanhando a apuração em Brasília — concedeu entrevista em vídeo ao Estadão, destacando a necessidade de respeitar as definições institucionais do país.
“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. O caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente.”, disse Tarcísio ao jornal.
Na terça-feira, o governador já havia publicado um vídeo em seu Instagram abordando o encerramento do processo eleitoral.
O teor do comunicado divulgado por Flávio repercutiu mal entre correligionários e legendas de sua coligação. Partidos como MDB, PSD e União Brasil reiteraram em perfis oficiais o compromisso institucional com os resultados proclamados. Já o PSDB, em nota assinada pelo presidente nacional da sigla, Aécio Neves, repudiou a atitude do parlamentar:
“É incompreensível o comportamento do candidato derrotado à Presidência da República. O exercício da oposição numa democracia é tão relevante quanto o exercício do próprio governo.”, afirmou Aécio Neves.
Por outro lado, parlamentares do PL declararam apoio público ao senador e a seus familiares, alegando perseguição política. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o deputado estadual Lucas Pavanato (PL-SP) e o senador Carlos Portinho (PL-RJ) saíram em defesa de Flávio.
Em pronunciamento no plenário, Portinho questionou o cenário político atual e prestou solidariedade ao colega de bancada. Junto ao líder do PL no Congresso Nacional, Sóstenes Cavalcante, os parlamentares afirmaram em nota oficial que “Flávio Bolsonaro e sua família não estão sozinhos”, reforçando que a bancada da sigla na Câmara e no Senado permanece unida em defesa de suas pautas.
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