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Eunice Paiva e as mães brasileiras que buscam seus filhos desaparecidos

- O filme "Ainda estou aqui" retrata a dor de Eunice Paiva, esposa de desaparecido. - Brasil tem mais de 80 mil desaparecimentos em 2023, refletindo crise de segurança. - Mães relatam experiências de busca por filhos, vítimas de violência e crime organizado. - Criminalização do desaparecimento forçado é debatida, mas projeto de lei está parado. - Promotoras defendem que desaparecimento forçado deve ser tratado como crime grave.

Em uma cena marcante do filme “Ainda estou aqui”, Eunice Paiva se encontra em uma sorveteria com suas filhas, logo após receber a notícia do possível falecimento de seu marido, o deputado Rubens Paiva, desaparecido durante a ditadura militar. A busca por normalidade em meio à dor é um reflexo da luta de muitas famílias […]

Em uma cena marcante do filme “Ainda estou aqui”, Eunice Paiva se encontra em uma sorveteria com suas filhas, logo após receber a notícia do possível falecimento de seu marido, o deputado Rubens Paiva, desaparecido durante a ditadura militar. A busca por normalidade em meio à dor é um reflexo da luta de muitas famílias de desaparecidos no Brasil, que em 2023 registrou mais de 80 mil casos de desaparecimentos, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Muitas dessas famílias enfrentam doenças e dedicam suas vidas à busca por respostas, mantendo a esperança de que seus entes queridos ainda estejam vivos.

A filha mais velha de Eunice, Vera Paiva, descreveu a indicação do filme ao Oscar como uma “reparação” para a dor vivida por sua família e por milhares de outras durante a ditadura. Vera dedicou os prêmios conquistados a todas as mulheres que, como sua mãe, continuam a sofrer com a perda de seus maridos, filhos ou netos. O Sistema Nacional de Localização e Identificação de Desaparecidos (Sinalid) revela que a maioria dos desaparecidos no Brasil são homens pardos entre 12 e 17 anos, com as principais causas sendo dependência química e problemas psiquiátricos, além da violência urbana, que complica ainda mais a resolução dos casos.

A promotora Eliana Vendramini, coordenadora do Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos, destaca que o Código Penal não reconhece o crime de desaparecimento forçado, tratando-o como sequestro, cuja pena é branda. Um projeto de lei sobre o tema está parado no Congresso desde 2013. A procuradora Patrícia Carvão defende a necessidade de melhorar as investigações para esclarecer os casos de desaparecidos, especialmente os relacionados à violência urbana, e enfatiza a importância de recuperar os corpos para dar um fechamento às famílias.

Relatos de mães que buscam seus filhos desaparecidos revelam a dor e a luta diária. Lucineide, mãe de Felipe, desaparecido em 2008, descreve como a busca a desestruturou. G., mãe de Jonathan, desaparecido em 2017, relata a falta de apoio das autoridades e a constante sensação de medo. Rute Fiúza, que perdeu seu filho Davi em 2014, também enfrenta a dor da incerteza, enquanto a Justiça avança lentamente. A história de João Rafael, sequestrado em 2013, e de Joel Vasconcelos, desaparecido em 1971, exemplificam a luta contínua por justiça e respostas, com familiares buscando incansavelmente por seus entes queridos e por um reconhecimento do Estado sobre as atrocidades cometidas.

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