Um estudo da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD) revelou que 759 hospitais nos Estados Unidos sofreram interrupções em seus serviços devido a uma falha no software da empresa CrowdStrike, ocorrida há um ano. A atualização problemática causou danos significativos, afetando serviços críticos para pacientes e levantando preocupações sobre a saúde pública.
A pesquisa, publicada na JAMA Network Open, identificou que mais de 200 hospitais enfrentaram interrupções que impactaram diretamente os cuidados aos pacientes, como a inacessibilidade de prontuários médicos e sistemas de monitoramento fetal. Os pesquisadores escanearam redes hospitalares antes, durante e após a crise, constatando que 34% das redes analisadas apresentaram algum tipo de falha.
Christian Dameff, médico de emergência e coautor do estudo, destacou que a situação poderia ter sido considerada um “problema significativo de saúde pública” se os dados tivessem sido disponíveis na época do incidente. A CrowdStrike, por sua vez, criticou a pesquisa, chamando-a de “ciência de má qualidade” e argumentando que a falha poderia estar relacionada a uma interrupção no serviço da Microsoft Azure, que ocorreu no mesmo dia.
Os pesquisadores, no entanto, defendem suas conclusões, afirmando que a interrupção nas redes hospitalares começou no momento em que a atualização da CrowdStrike foi implementada. Eles também ressaltaram que a contagem de hospitais afetados é uma estimativa mínima, já que conseguiram escanear apenas um terço dos mais de 6.000 hospitais dos EUA.
Além disso, a pesquisa sugere que, embora a maioria dos serviços tenha se recuperado rapidamente, 8% das interrupções levaram mais de 48 horas para serem resolvidas. Essa situação, mesmo que de duração menor em comparação a ataques cibernéticos anteriores, pode ter consequências graves para a saúde dos pacientes, como atrasos em diagnósticos e tratamentos.
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