Pesquisadores brasileiros identificam variantes genéticas que influenciam o risco de câncer colorretal
Um estudo inédito realizado por pesquisadores do Hospital de Amor e outras instituições revelou novas informações sobre o câncer colorretal no Brasil. A pesquisa, publicada na revista *Global Oncology*, analisou a relação entre variantes genéticas e ancestralidade na população brasileira, que é altamente miscigenada. Estima-se que cerca de 46 mil brasileiros serão diagnosticados com a doença entre 2023 e 2025, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).
Os pesquisadores investigaram 45 polimorfismos genéticos associados ao câncer colorretal, com foco em 990 pacientes diagnosticados e 1.027 indivíduos sem a doença. Nove variantes mostraram associação significativa com o risco, sendo que quatro se destacaram por manter relevância mesmo após ajustes para fatores clínicos e epidemiológicos. Duas variantes aumentaram o risco, enquanto outras duas apresentaram efeito protetor.
Papel da ancestralidade
Um dos achados mais significativos foi a descoberta de que indivíduos com menor ancestralidade africana e asiática têm maior risco de desenvolver câncer colorretal. Essa relação sugere que componentes genéticos herdados dessas populações podem oferecer proteção contra a doença. O estudo destaca que hábitos alimentares, possivelmente associados a essas ancestralidades, podem influenciar o risco.
Os pesquisadores utilizaram um painel de 46 marcadores para determinar a ancestralidade genética dos participantes, superando a subjetividade de métodos tradicionais. A análise incluiu quase 2 mil pessoas de diversas regiões do Brasil, proporcionando uma amostra representativa e robusta.
Avanços na medicina personalizada
Os resultados podem contribuir para a medicina personalizada, permitindo que estratégias de rastreamento e prevenção sejam adaptadas com base nas variantes genéticas identificadas. Embora essas variantes não possam ser alteradas, o conhecimento sobre elas pode ajudar a priorizar indivíduos em programas de rastreamento.
Os pesquisadores planejam expandir o estudo, mapeando até 3 milhões de variações genéticas na população brasileira. O objetivo é criar um escore de risco específico, levando em conta a diversidade genética do país. Essa abordagem pode representar um avanço significativo no combate ao câncer colorretal no Brasil, proporcionando respostas mais adequadas à realidade local.
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