A campanha “chega de publicidade de bets” ganha força em meio a debates sobre o papel da publicidade de apostas no Brasil. O movimento defende que cabe ao cidadão decidir sobre apostar, fumar e beber, mas exige freio ao estímulo ao consumo.
A trajetória das apostas no país é marcada por fases distintas. Do século XVIII até o século XX, surgiram casas de jogo, loterias e cassinos, legislações e restrições que moldaram o cenário atual.
Em 2018, observa-se um marco: a legalização de modalidades de apostas por meio de regulamentação específica, ampliando o investimento e a presença de anunciantes no mercado. A publicidade passa a movimentar cifras expressivas.
Dados da pesquisa Investimentos Bets 2025, da Tunad, apontam que, no ano passado, as apostas investiram mais de 1,4 bilhão de reais em publicidade. TV, rádio, streaming e mídia paga puxam o ritmo do setor.
Essa consolidação impulsiona o posicionamento de empresas do setor entre os cinco maiores anunciantes do Brasil, ao lado de varejo e indústria farmacêutica, segundo análises de mercado.
Panorama atual e impactos
Especialistas destacam o aumento de relatos sobre problemas de saúde mental associados às apostas, bem como perdas financeiras significativas entre a população. Esses desdobramentos movem o debate sobre responsabilidade.
Entre as propostas em discussão, há ideias para restringir a publicidade de bets na televisão, rádio e mídia impressa, similar ao que ocorreu no setor de tabaco no passado. A efetividade dessas medidas ainda é objeto de avaliação.
Paralelamente, o debate envolve a relação entre consumo de álcool e riscos à saúde pública. Dados apontam elevado número de internações e ocorrências de álcool entre faixas etárias diversas, alimentando o tema.
O objetivo do movimento é evitar o incentivo direto ao consumo, mantendo a liberdade individual para escolher participar de apostas, bebidas e outros produtos. A campanha orienta para restrições de publicidade como caminho possível.
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