O estudo publicado em Biological Conservation (junho de 2020) quantifica o papel da caça na queda de aves limícolas migratórias ao longo do East Asian-Australasian Flyway (EAAF). A pesquisa analisa práticas de caça via tiros, armadilão e venenos desde 1970, em 22 países da região.
Conduzido por Eduardo Gallo-Cajao e uma equipe de 15 pesquisadores, o trabalho reuniu 107 documentos de 165 locais. O objetivo é entender a extensão da caça ao longo da rota migratória e seu impacto potencial nas populações de aves ao longo do ano.
Os autores afirmam que a caça é disseminada desde o século XIX, com dados mais robustos a partir de 1970. O estudo utiliza metodologia mista para dados históricos e contemporâneos, e aponta que o problema exige monitoramento coordenado entre governos, ONGs e pesquisadores.
Panorama da caça na rota migratória
Entre os locais com registros, destacam-se o Delta do Yangtzé, na China; a Baía de Pattani, na Tailândia; e a Java Ocidental, na Indonésia, onde há dados mais consistentes. A maioria dos registros não permite concluir sobre a sustentabilidade da caça.
O levantamento também associa a caça a espécies específicas, incluindo cinco limícolas ameaçadas. Entre elas estão o snipe-dente (Calidris pygmaea), o curlew do Leste Asiático e o knot grande (Calidris tenuirostris).
A equipe identifica 214 espécies de limícolas no mundo, com 61 utilizadas na rota asiático-pacífica. O estudo destaca que mudanças legais e econômicas dificultam soluções únicas para todas as situações nacionais.
Caminhos para a conservação
Os autores defendem monitoramento de longo prazo em escala de flyway, com participação de governos, ONGs e comunidades locais. Em Bangladesh, campanhas de conservação reduziram significativamente a captura de limícolas.
O estudo ressalta que estratégias precisam considerar variáveis locais, como subsistência e comércio, além de ameaças com fronteiras abertas. A cooperação regional é apontada como essencial.
Contexto e desdobramentos
A pesquisa reforça que a proteção de aves migratórias está alinhada a marcos internacionais, como a Convenção sobre Espécies Migratórias. A parceria EAAF criou grupo específico para caça em 2017.
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