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Pesquisadoras destacam os desafios das mulheres para fazer ciência

Apesar de serem maioria na pós-graduação, mulheres enfrentam desigualdades em publicações e citações, refletindo barreiras de gênero na ciência

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O tema da mulher na ciência é tema central de estudo e reflexão mundial. Pesquisadoras ao redor do mundo continuam representando a maioria em algumas áreas, mesmo assim enfrentam disparidades de publicação, citações e acesso a recursos. O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, estabelecido pela ONU, busca ampliar participação em STEM, mas números atuais revelam desigualdades persistentes em diferentes países e áreas do conhecimento.

Na USP, a trajetória revela fenômenos parecidos com o cenário global: em níveis de pós-graduação, mulheres são maioria, mas ainda enfrentam obstáculos para alcançar cargos de liderança, ter trabalhos reconhecidos com igual número de citações e obter bolsas em padrões equivalentes aos homens. Estudos recentes destacam a importância de políticas institucionais para ampliar a representatividade, especialmente em áreas técnicas.

Um relatório da Elsevier, atualizado em 2023, analisa a participação feminina em 26 áreas na União Europeia e em 15 países, incluindo o Brasil. O levantamento aponta aumento da participação geral, mas persistem diferenças entre países e temas, sobretudo na publicação internacional, citações, bolsas e colaborações.

Áreas da ciência em que as mulheres do Brasil são maioria

Entre as áreas com maior presença feminina no Brasil, destacam-se Enfermagem (73,0%), Medicina (52,7%), Bioquímica (52,7%) e Farmacologia (57,6%). Em outras áreas, as mulheres também aparecem como maioria em percentuais acima de 50%, como Neurociência (54,3%) e Imunologia/Microbiologia (57,7%). Esses dados refletem tendências regionais e históricas de formação e atuação profissional.

Apesar disso, o relatório aponta que, em média, a produção científica de pesquisadoras brasileiras é menos citada do que a de colegas homens, contribuindo para um índice h menos favorável em muitos casos. A explicação envolve trajetórias de publicação, histórico de colaborações e reconhecimento nas primeiras fases da carreira. Especialistas ressaltam que volume de publicações nem sempre se traduz em maior visibilidade.

Para entender o panorama brasileiro, a Aguia, unidade da Agência USP de Gestão da Informação, aponta áreas com maior participação feminina e reforça que, mesmo com avanços, é preciso ampliar a representatividade feminina em carreiras de alto impacto científico. A instituição destaca que o progresso depende de políticas de apoio à carreira desde a formação básica até posições de liderança.

Jovens pesquisadoras na USP e o ambiente acadêmico

Na prática educativa, meninas em cursos de engenharia da USP relatam avanços ainda tímidos, com aumento gradual de presença ao longo dos anos. Pesquisas com estudantes de iniciação científica mostram que iniciativas institucionais, como comissões contra opressão e canais de denúncia, ajudam a reduzir situações de preconceito no dia a dia acadêmico.

As relatos das alunas descrevem experiências positivas em projetos de robótica hospitalar, com orientação de professores da Escola Politécnica. Ao mesmo tempo, apontam a necessidade de ampliar a participação feminina nas turmas, especialmente em disciplinas de engenharia mecânica e mecatrônica, onde a presença de alunas ainda é relativamente baixa. A conscientização institucional aparece como fator crucial para mudanças de cultura.

A leitura de dados e relatos locais reforça a importância de ações contínuas. Programas de mentoria, redes de apoio entre mulheres e políticas de equidade podem favorecer o amadurecimento de carreiras científicas e técnicas, contribuindo para uma comunidade acadêmica mais inclusiva e produtiva.

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