O turismo de jaguares em Porto Jofre, no Pantanal brasileiro, ganhou projeção mundial e agora exige regras novas para não ruir. Estudo aponta que o ganho pode colocar o habitat sob pressão caso não haja manejo adequado.
O Pantanal abriga a segunda maior população de jaguares no mundo, estimada entre 4.000 e 6.000 animais. A área de Porto Jofre concentra densidade recorde desde o desenvolvimento do turismo de observação.
O estudo alerta que a habitação de jaguares por visitantes aumenta o risco de danos ao comportamento dos animais. Acesso facilitado pode comprometer a experiência dos visitantes e a sustentabilidade do negócio.
A contagem de jaguares acostumados à presença humana subiu de 29, em 2013, para 130, em 2023. Observações diárias passaram a ser comuns e algumas operadoras já oferecem reembolso caso não haja avistamento.
Antes, guias compartilhavam informações de localização por rádio aberto, para facilitar avistamentos. Agora, com alta probabilidade de avistamento, a prática pode não ser mais adequada, segundo o estudo.
Os autores defendem regras claras para reduzir a aglomeração de barcos e visitantes, com grupos menores e melhor coordenação. A ideia é proteger os animais e manter a qualidade da experiência.
O turismo gera cerca de US$ 6,8 milhões por ano e tem sido motor de proteções ambientais no Pantanal, região atingida por seca e queimadas. O estudo reforça a necessidade de equilíbrio entre conservação e visitação.
A mudança de mindset comercial já transformou atitudes locais, com pecuaristas adotando soluções para proteger o gado, como cercas elétricas e manejo noturno. A continuidade do turismo depende de regras eficazes.
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