Conservacionistas alertam que a caça de leopardos no Sri Lanka pode ser mais sistemática do que se pensava, após a prisão, no início de agosto, de um grupo de caçadores com uma carcaça recém-escamada dentro do Parque Nacional Maduru Oya. A suspeita é de que haja demanda específica por pele, dentes, garras e carne do animal.
Segundo ativista Sethil Muhandiram, há mercado para partes do leopardo, o que contradiz a visão de que os ataques seriam apenas oportunistas. A organização LEOPOCON Sri Lanka confirma que muitos casos envolvem conflitos com criadores de animais, mas que, em geral, não havia lucro evidente com partes do corpo.
A ocorrência em Maduru Oya, somada a séries de incidentes, aponta para padrões além do abate por retaliação ou captura acidental em armadilhas para cervídeos. Especialistas indicam que a carne, pele e outras partes podem ter valor comercial ou ritual, o que sustenta a hipótese de uma atividade organizada.
Pesquisadores ressaltam que a pele de leopardos é tradicionalmente valorizada como símbolo de status, e há crenças sobre propriedades medicinais da carne, o que pode alimentar o mercado negro. Um caso isolado de captura mostrou que o agressor pretendia obter carne, o que sinaliza possível existência de uma rede de interesse.
Há quem questione se o país faz parte de redes internacionais de tráfico, mas admite-se a possibilidade de comércio local em mercados discretos ou usos culturais que demandem partes do animal. A discussão também envolve a dificuldade de provar casos de caça direcionada em escala.
Estudos locais indicam que muitos óbitos de leopardos ocorrem fora de áreas protegidas, aumentando o risco para a espécie. Alguns registros apontam ainda mortes por tiro, eletrocussão, armadilhas e colisões com veículos, além da participação de ações humanas em áreas rurais.
A população de leopardo do Sri Lanka é estimada em menos de mil indivíduos maduros, e a espécie é classificada como ameaçada. A preservação depende de inteligência policial, educação comunitária e fiscalização mais rigorosa de mercados onde partes do animal possam circular.
Conservacionistas afirmam que a investigação sobre o caso de Maduru Oya pode abrir espaço para novas ações de responsabilização e para o aprofundamento da compreensão de uma possível crise silenciosa, camada a camada, com cada armadilha, carcaça e pele.
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