O que aconteceu: um estudo colaborativo testou um exame de sangue capaz de diagnosticar Alzheimer em pacientes brasileiros. A pesquisa avaliou biomarcadores no sangue e comparou os resultados com a punção lombar como referência. O objetivo é oferecer diagnóstico precoce e menos invasivo no Brasil.
Quem está envolvido: pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pesquisadores de diferentes países. O estudo utilizou um teste já existente, desenvolvido pela empresa americana Quanterix, aplicado na população do Sul Global para validação local.
Quando e onde: a avaliação ocorreu com um grupo de 59 voluntários no Rio Grande do Sul, dividido em três grupos (sem deficiência, Alzheimer e demência vascular). A pesquisa foi publicada na revista Molecular Psychiatry, vinculada ao grupo Nature.
Por que: a ideia é ampliar o acesso ao diagnóstico precoce, reduzir custos e permitir início mais rápido de tratamentos. Hoje, exames como PET e punção lombar são caros e pouco disponíveis no Brasil.
Contexto e método
O estudo não criou o exame, apenas validou sua aplicação localmente. A análise concentrou-se na proteína p-tau217, considerada o marcador mais eficiente para identificar Alzheimer. O teste mostrou alta precisão para distinguir pessoas sem a doença, com acerto de 96%.
A diferenciação entre Alzheimer e demência vascular teve precisão de 79%, menor do que em países de alta renda. Pesquisadores destacam que a amostra brasileira tem características distintas, como menor escolaridade, o que pode influenciar os resultados.
O diretor da pesquisa, da UFRGS, ressalta que o cérebro brasileiro apresenta variações genéticas e socioculturais relevantes. Outros estudos na região RJ corroboram resultados similares, fortalecendo a validade da abordagem neste contexto.
Próximos passos
A iniciativa brasileira de biomarcadores neurodegenerativos recebe financiamento do Ministério da Saúde e da Finep. Em uma primeira fase, será realizado um estudo com 3 mil pessoas em dez cidades do Rio Grande do Sul para estabelecer referências.
Caso haja confirmação adicional, a próxima etapa envolve aprovação da Anvisa e avaliação pela Conitec para possível incorporação ao SUS. O objetivo é tornar o teste acessível e democrático.
Perspectivas e custo
Se consolidado, o exame de sangue poderia reduzir a necessidade de exames invasivos e de alto custo. A meta é tornar o diagnóstico mais rápido e acessível, com custo estimado inicialmente em torno de 800 reais, conforme projeções dos pesquisadores.
A expansão nacional dependerá de validação contínua, de ajustes de reference values e de aprovação regulatória. A tecnologia, se amplamente adotada, pode avançar o diagnóstico das fases iniciais da doença no Brasil.
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