Um estudo recente, com 11 mil nascimentos, associa água de poço contaminada por PFAS a aumentos expressivos em complicações neonatais, em New Hampshire. A pesquisa, publicada em revista científica, usou um desenho quase experimental para separar os efeitos das PFAS de outros fatores.
Os resultados indicam que beber água proveniente de áreas abaixo de fontes contaminadas por PFAS está ligado a 191% de mortalidade infantil, 43% de baixo peso ao nascer e 20% de parto prematuro. Também houve aumentos em nascimentos extremamente prematuros e extremamente baixo peso.
A investigação identifica 41 pontos no estado com PFAS, duas substâncias comuns (PFOA e PFOS) e utiliza ventos de drenagem para definir a direção da água subterrânea. Mulheres não sabiam se a água que usavam vinha de áreas contaminadas, o que favoreceu a comparação causal entre grupos.
Metodologia e impressões
A abordagem permitiu isolar o efeito das PFAS, afirmou um dos autores, o professor Derek Lemoine, da Universidade do Arizona. A rigorosidade do desenho é destacada por especialistas, ressaltando que o risco é detectável mesmo com a incidência relativamente baixa de eventos.
A equipe também estimou impactos econômicos. Estima-se um prejuízo anual próximo de US$ 8 bilhões apenas com aumento de custos de saúde e perda de produtividade nos EUA. Já o custo para cumprir regulações de remoção de PFAS em água potável fica em cerca de US$ 3,8 bilhões.
Implicações regulatórias e limitações
As PFAS são um conjunto de milhares de compostos usados para resistência a água, manchas e calor, chamados de “químicos eternos” por sua persistência ambiental. Bases militares e aeroportos figuram entre grandes fontes de contaminação, especialmente por uso de espuma de combate a incêndos.
Entre as limitações da pesquisa, não há dados exatos de exposição individual das mães nem o controle de outros contaminantes presentes na água. Ainda assim, o estudo reforça a necessidade de políticas públicas para reduzir a contaminação e proteger gestantes e recém-nascidos.
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