Nos últimos anos, cresce a investigação sobre a Covid longa, quando pacientes apresentam fadiga, falta de ar e dificuldades de concentração meses após a fase aguda. A origem não é consensual, e não se limita ao SARS-CoV-2.
Uma nova linha de pesquisa sugere que infecções latentes no organismo podem reativar após a Covid-19, agravando ou prolongando os sintomas. EBV e tuberculose latente são citados como exemplos.
Um grupo de 17 especialistas em microbiologia e doenças infecciosas publicou a hipótese no periódico eLife, analisando evidências desde o início da pandemia. A proposta é de que patógenos adormecidos podem ganhar atividade quando o sistema imune é abalado.
Hipótese de coinfecções latentes
Segundo os pesquisadores, vírus e bactérias já presentes no corpo podem retornar à atividade após a Covid-19, coincidindo com exaustão, falhas de memória e déficit de atenção. O Epstein-Barr é apontado como um dos principais suspeitos.
Outro foco é a tuberculose latente, que pode ressurgir quando a defesa do organismo fica enfraquecida pela covid. Em alguns casos, a infecção pelo coronavírus seria capaz de facilitar esse reativamento, mesmo sem sinais clássicos.
Dados globais indicam queda ou mudança no quadro de várias infecções desde o início da pandemia. A hipótese sugere que o enfraquecimento imunológico causado pela Covid-19 pode aumentar a vulnerabilidade a outros patógenos.
Implicações para diagnóstico e tratamento
Caso a hipótese seja comprovada, o manejo clínico de pacientes com Covid longa pode mudar. Medicamentos antivirais e antimicrobianos já existentes poderiam ser avaliados de forma direcionada, além de novas estratégias terapêuticas.
A comunidade científica, porém, alerta para a necessidade de mais evidências. Atualmente, não há provas definitivas de que coinfecções causem Covid longa, apenas associações e mecanismos biológicos plausíveis.
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